Mary Oliver – Quando a morte chegar

Quando a morte chegar
como um urso faminto no outono;
Quando a morte chegar e tirar da carteira todas as moedas brilhantes

para me comprar, e em seguida lacra-la;
quando a morte chegar
como um sarampo-varicela

quando a morte chegar
como um iceberg entre as omoplatas,

quero atravessar o portal cheia de curiosidade, me perguntando:
como será essa cabana das trevas?

Por isso enxergo tudo como uma confraternização,
e vejo o tempo como não mais do que uma ideia,
e considero a eternidade como outra possibilidade,

e penso em cada vida como uma flor, tão comum
e singular quanto uma margarida do campo,

e cada nome como uma confortável canção entre os lábios,
tendendo, como fazem todas as canções, ao silêncio,

e cada corpo, a coragem de um leão, e algo
precioso para a terra.

Quando isso acabar, pretendo dizer que por toda minha vida
fui uma noiva do assombro.
Eu fui a noiva, tomando o mundo entre meus braços.

Quando isso acabar, não quero me perguntar
se fiz de minha vida algo especial, e real.
Não quero me ver suspirando e assustada,
ou cheia de argumentação.

Eu não quero terminar tendo simplesmente visitado este mundo.

Trad.: Nelson Santander

When death comes

When death comes
like the hungry bear in autumn;
when death comes and takes all the bright coins from his purse

to buy me, and snaps the purse shut;
when death comes
like the measle-pox

when death comes
like an iceberg between the shoulder blades,

I want to step through the door full of curiosity, wondering:
what is it going to be like, that cottage of darkness?

And therefore I look upon everything
as a brotherhood and a sisterhood,
and I look upon time as no more than an idea,
and I consider eternity as another possibility,

and I think of each life as a flower, as common
as a field daisy, and as singular,

and each name a comfortable music in the mouth,
tending, as all music does, toward silence,

and each body a lion of courage, and something
precious to the earth.

When it’s over, I want to say all my life
I was a bride married to amazement.
I was the bridegroom, taking the world into my arms.

When it’s over, I don’t want to wonder
if I have made of my life something particular, and real.
I don’t want to find myself sighing and frightened,
or full of argument.

I don’t want to end up simply having visited this world.

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