Joan Margarit – O ano em que ela morreu

Na fotografia de cor sépia
és jovem e sorri. Lembra-me
as garotas dos filmes de guerra
de minha infância:
barcos na neblina, trens noturnos
e grandes cidades sob o alarme aéreo.
Na lápide está escrito que ela morreu
no inverno de quarenta e quatro,
aos vinte anos, quando me apaixonava
pela abafada escuridão
cruzada por um raio de luz, a heroína
dos sonhos de amor de minha infância.
A dura pedra
tem uma cova com água de chuva
onde bebem os pássaros quando,
de casaco longo e cabelos grisalhos
desordenados pelo vento,
se afasta o narrador.
Tem o mesmo sonho nos olhos, em uma cidade,
em um cinema onde agora está só.

El año em que murió

En la fotografía color sepia
es joven y sonríe. Me recuerda
a las muchachas de las películas de guerra
de mi infancia:
barcos entre la niebla, trenes nocturnos
y grandes ciudades bajo la alarma aérea.
En la losa está escrito que murió
en el invierno del cuarenta y cuatro,
a los veinte años, cuando me enamoraba
desde la bochornosa oscuridad
cruzada por un foco, la heroína
de los sueños de amor de mi niñez.
La dura piedra
tiene un hueco con agua de lluvia
donde beberán los pájaros cuando,
abrigo largo y pelo gris
desordenado por el viento,
se aleje el narrador.
Tiene el mismo sueño en los ojos, en una ciudad,
en un cine donde ahora está solo.

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