José Manuel Caballero Bonald – Transfiguração do perdido

A música convoca as imagens
degradadas do tempo. De onde estão me
chamando, de qual
penumbra, quando retornam
para mim?
          Nada me pertence
senão aquilo que perdi.
Máscara do passado, a memória conflui
para um fundo difuso de alegrias
em que tudo soçobra e se reduz
a nada, onde está minha verdade
tornando-se mais crédula.
         Oh transfiguração
do que já não existe, marca
tenaz do caduco, cúmplice
reclusão da memória
que cinge o tempo em rajadas de música.

Trad.: Nelson Santander

Transfiguración de lo perdido

La música convoca las imágenes
degradas del tiempo. ¿Dónde
me están llamando, desde qué
penumbra, hacía qué día
me regresan?
          Nada me pertenece
sino aquello que perdí.
Máscara del pasado, la memoria confluye
sobre un fondo difuso de alegrías
donde todo zozobra y se reduce
a nada, donde está mi verdad
haciéndose más crédula.
         Oh transfiguración
de lo que ya no existe, marca
tenaz de lo caduco, cómplice
reclusión de la memoria
que ciñe al tiempo en ráfagas de música.

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