Vicente Gaos – Homem Total

     Homenagem a Lope de Vega

          I

Olhos verdes de Marta de Nevares
Olhos – negros talvez? – de Dorotea.
Olhos azuis, límpida luz febea
de Camila Lucinda. Que avatares

de amor sem contenção! Gozos, pesares,
gozos… Isto é amor. Quem não me crê,
mire-se no olhar que se pode ver
nos olhos de uma mulher. (Cantares:

Estes olhos que vemos não são olhos
porque também os vemos, eles são
olhos porque nos vêem.
) Mas a cegueira

de Marta, e o esquecimento, os restolhos
de tanto fogo extinto… Tua canção
se eleva enfim até a luz primeira.

          II

Não sabe o que é o amor quem não te ama.
Não sabe o que é o amor quem não te espia.
Arrancaste à tu’alma e poesia
O som mais doce, a mais ferina chama.

O que restou do amor por tanta dama?
Apenas cinzas da imensa pira.
Anuvia-se o olhar, o corpo expira,
e a alma quer se unir à alta rama

de Deus, que com seus silvos amorosos
te encanta na aguda paz do verão.
Madrid, mil, seiscentos e trinta e cinco.

Já se foram os anos venturosos
e os amargos. Tudo passou em vão.
E a Deus te entregas com mortal afinco.

Trad.: Nelson Santander

Hombre total

Homenaje a Lope de Vega

I

Ojos verdes de Marta de Nevares.
Ojos -¿negros tal vez?- de Dorotea.
Ojos azules, clara luz febea
de Camila Lucinda. ¡Qué avatares

de amor sin contención! Gozos, pesares,
gozos… Esto es amor. Quien no lo crea,
mírese en unos ojos, que se vea
en unos ojos de mujer. (Cantares:

Esos ojos que vemos no son ojos
porque nosotros los veamos, son
ojos porque nos ven.) Mas la ceguera

de Marta, y el olvido, los despojos
de tanta lumbre extinta… Tu canción
se eleva al fin hacia la luz primera.

II

No sabe qué es amor quien no te ama.
No sabe qué es amor quien no te mira.
Tú arrancaste a su alma y a su lira
el son más dulce, la más fiera llama.

¿Qué fue de tanto amor por tanta dama?
Sólo cenizas de la inmensa pira.
Se nubla la mirada, el cuerpo expira,
y el alma quiere asirse a la alta rama

de Dios, que con sus silbos amorosos
te hechiza en la honda calma del verano.
Madrid, a mil seiscientos treinta y cinco.

Pasaron ya los años venturosos
y los amargos. Todo pasó en vano.
Y a Dios te entregas con mortal ahínco.

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