Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Manuel Vilas – O último Elvis

Respeita sempre a decadência das mulherese dos homens que amaram ou pelo menos tentaram amara vida e esta os chamuscou ou lhes quebrou os ossos da face,as entranhas e as veias e o fígado e o nobre coração.Respeita todos os sagrados e humildes naufrágiosdos seres humanos. Respeita aqueles que se suicidaram. Respeita aqueles que se…
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José María Cumbreño – Identidade

Durante anos, a roupa que vesti herdei do meu irmão mais velho.Meu nome me foi dado em homenagem ao meu avô.O primeiro carro que dirigi era de segunda mão.A primeira mulher que me beijou já havia beijado outros.A casa em que moro é alugada.Tudo o que eu vier a escrever alguém já terá escrito muito…
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Juan Luis Panero – Mensagem de Antonio a Cleópatra

Mensagem de Antonio a Cleópatra I Elogiem outrostua beleza adormecida,a suavidade de tua pele em repouso,a medida perfeição de teus membros.Eu não vim por isso,vim somente para te penetrarpela frente e por tráscomo um punhal que atravessaa água límpidae afunda e se perdeno poço sombrio. Mensagem de Cleópatra a Antonio II Não louves minha beleza,outros…
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José Asunción Silva – Obra Humana

No interior da floresta intocadaem que, uma noite, no início de maio,tocou a velha ramagem folhadada pálida lua o primeiro raio, poucos meses depois a luz de gásda aurora na estação iluminouo curso da locomotiva audazque por trilhos duríssimos cruzou. E onde fora certa vez um abrigo,porto seguro de um alado enxame,atravessou o espaço um…
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Berta Piñán – Duas Garças

Chegaram no sábado. Vimo-lascedo porque nesse dia chegoutambém o frio e passamosa manhã falando do tempo.São duas, e me pergunto quedestino imprevisto as trouxea esta árvore precisa, a este exatolugar onde o tempo delascruza, como um enigma confuso,nosso tempo.À tarde, conversamos sobre elas:“Esta espera delas, imóvel, paciente – dizes -,não sei que imagem estranha e…
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Francisco Brines – Os Verões

A Carmen Marí Foram longos e ardentes os verões!Ficamos nus juntos ao mar,e o mar ainda mais nu. Com os olhos,e em corpos ágeis, praticávamosa mais prazerosa posse do mundo. Éramos tocados por vozes banhadas de lua,e era a vida vulcânica e violenta,ingratos com o sonho, fluíamos.O ritmo sombrio das ondasnos abrasava eternamente, e éramos…
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Francisco X. Alarcón – Prece

Quero um deuspor cúmpliceque vire a noiteem espeluncasde má reputaçãoe acorde tardeaos sábados um deusque assobiepelas ruase estremeçadiante dos lábiosdo seu amor um deusque fique na filaà entradados cinemase tome café com leite um deusque cuspasangue detuberculosoe não tenhanem para o ônibus um deusque desmaiecom uma cacetadada polícianum atode protesto um deusque se urinede medo…
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Joan Margarit – Cemitério de Montjuïc

Algo resta das almas,como a brisa que surgedepois de alguém passar,e que faz estremeceruma fina cortina na janela.Pela trilha de pedras ásperas que não esquecemmas calam, severas, o que sabem,o vento deixa um silêncio de lágrimaspor vidas como a nossa, perdidas.“Jazigo perpétuo”, a terrasempre dura, fileiras de ciprestes:provinciano teatro da morte.Nosso amor é como o…
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Luis Alberto de Cuenca – Quando Penso nos Velhos Amigos

Quando penso nos velhos amigos que saíramde minha vida, cedendo a mulheres cruéisque nutrem seu medo e os cobrem com filhospara mantê-los por perto, controlados e impotentes. Quando penso nos velhos amigos que partirampara o país da morte, sem bilhete de volta,apenas por terem buscado o deleite nos corpose o olvido nas drogas que aliviam…
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Julio Cortázar – O futuro

E sei muito bem que não estarás.Não estarás na rua, no sussurro que brota de noitedos postes, nem no gestode escolher o cardápio, nem no sorrisoque alivia as lotações dos metrôs,nem nos livros emprestados nem no até amanhã. Não estarás nos meus sonhos,no destino original de minhas palavras,nem em um número de telefone estarás,ou na…