Categoria: Poema
-
William Butler Yeats – Leda e o cisne

Súbito, um baque: as grandes asas brancasPousam sobre a jovem, e a agarram com jeito,As patas negras lhe afagam as ancasE a estreitam, impotente, contra o peito. Com dedos trêmulos, como afastarDas coxas fracas o esplendor plumado?E como não sentir a palpitarO estranho coração, desabalado? Um espasmo ― e eis que se gera um novo…
-
Linda Gregg – A carta

“A Carta”, um poema de Linda Gregg que explora temas como introspecção, solidão, a busca por paz interior, e a relação da poeta com a poesia.
-
Brian Turner – Quão brilhante é abril

E o ar secoComo as espáduas de um búfalo-d’água. Gafanhotos arranham a terra,roçam as asas com pernas finas,irrompendo à frente dos soldadosem voos rasantes em arco, as asas um borrão. Os soldados já não percebem,veem apenas os escombros das ruas,corpos cobertos por lençóis, e o sol,quão brilhante é, quão duro e plano e branco. Serão…
-
David Ignatow – Para a minha filha

Quando eu morrer, escolhe uma estrelae dá-lhe o meu nomepara que saibas quenão te abandoneinem te esqueci.Foste para mim uma estrela,guiando-me pelo teu nascimentoe infância, minha mãona tua mão. Quando eu morrer,escolhe uma estrela e dá-lheo meu nome para que eu possa brilharsobre ti, até que te juntes a mimna escuridão e no silênciojuntos. Trad.:…
-
Jack Gilbert – Dali até aqui

O poema percorre a distância entre um tempo vivido e o presente, observando o que mudou no caminho. Jack Gilbert reúne deslocamento, memória e perda numa passagem que não apaga a continuidade entre o antes e o agora.
-
Robinson Jeffers – Falcões feridos

Falcões Feridos I A coluna partida da asa se projeta da espádua coagulada,A asa arrasta-se como um estandarte na derrota,Não mais para usar o céu, apenas para viver com fomeE dor por uns poucos dias: nem gato nem coioteAbreviarão a semana de espera pela morte: há caça sem garras.Ele posta-se sob o carvalho e esperaOs…
-
Eliza Griswold – Tigres

“Tigres”, um poema de Eliza Griswold sobre o delicado equilíbrio entre o amor e o desapego, enquanto nos agarramos à vida, rodeados pela ameaça e pela beleza efêmera.
-
Jacques Prévert – Bárbara

Lembra-te BárbaraChovia em Brestsem cessar naquele diaCaminhavas à chuvasorridenteradiosa encantadora deslumbranteLembra-te Bárbarachovia em Brestsem cessare eu passei por tina Rua do Sião.Sorriase eu sorriaLembra-te Bárbaratu a quem não conheciatu que não me conheciasLembra-teLembra-te mesmo assimdaquele diaNão te esqueçasSob um pórticoabrigava-se um homemque gritou o teu nomeBárbaraCorreste para eleà chuvadeslumbrante encantadoraradiosalançaste-te nos seus braçosLembra-te BárbaraE não…
-
Kim Addonizio – O momento

“O momento”, um poema em que Kim Addonizio captura um instante revelador e profundamente pessoal que ressoa com temas universais de envelhecimento, perda e a inevitabilidade da morte.
-
Horácio – Ode 1/11

Não busques (é tabu!) saber que fim, Leucónoe,os deuses nos reservam. Põe de lado o horoscopoda babilônia e aceita: o que há de ser, será,quer nos dê Jove mais invernos, quer só esteque em rochas quebra o mar Tirreno. Vive, bebeteu vinho e talha, ao curto prazo, anseios longos.Enquanto eu falo, o tempo evade-se invejoso.Apanha…