Categoria: Poema
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Nuno Júdice – Réquiem por Muitos Maios

Réquiem por Muitos Maios, um poema de Nuno Júdice Conheci tipos que viveram muito. Estão mortos, quase todos: de suicídio, de cansaço. de álcool, da obrigação de viver que os consumia […]
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Joan Margarit – Não estava longe, não era difícil

Chegou este tempo em que já não machuca a vida que se perde, em que a luxúria é tão só uma lâmpada inútil, e a inveja se olvida. É um tempo de perdas prudentes, necessárias, e não é um tempo de chegar mas de partir. O amor, agora, por fim coincide com a inteligência. Não…
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Joan Margarit – Discurso do Método

Já de criança procurava as janelas para pode fugir com o olhar. Desde então, se entro em um lugar, observo com atenção onde deixo meu casaco e onde está a porta de saída. Liberdade, para mim, quer dizer fuga. Há muitas portas no mundo. Inclusive o sexo, em caso de emergência, pode sê-lo, embora todas…
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Idea Vilariño – Ou foram nove

Talvez tivemos só sete noites não sei não as contei como poderia ter feito. Talvez não mais que seis ou foram nove. Não sei, mas valeram a pena como o amor mais duradouro. Talvez com quatro ou cinco noites dessas, mas precisamente como essas, talvez seja possível viver como de um longo amor uma vida…
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Manuel António Pina – Lugares da infância

Lugares da infância onde sem palavras e sem memória alguém, talvez eu, brincou já lá não estão nem lá estou. Onde? Diante de que mistério em que, como num espelho hesitante, o meu rosto, outro rosto, se reflecte? Venderam a casa, as flores do jardim, se lhes toco, ficam hirtas e geladas, e sob os…
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Paulo Henriques Britto – Queima de Arquivo

Houve um tempo em que eu amava em cada corpo o reflexo do que eu queria ter sido. No fundo do sexo eu buscava o meu desejo perdido. Acabei achando o outro que em mim mesmo destruí. Foi fácil reconhecê-lo: de tudo que vi em seu rosto somente o ódio era belo. Esse morto adolescente…



