Categoria: Poema
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Joan Margarit – Luzes de natal em Sant Just

ILâmpadas tremeluzentes se iluminamcomo as lágrimas de alguém nas ruas.Encontro nosso pátio cinza e friosob este céu lilás do crepúsculoonde se desenham, negro e fino estampado,à contraluz, as folhas do loureiro.E tua mãe me diz:Tu e eu, algumas vezes, perdemos tudo.Tremeluzentes, as luzes nas ruas:todas se apagaram, de repente, por ti. IIHoje todas as cores…
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Joan Margarit – Amanhecer em Cádiz

Em frente ao hotel, o mar enevoado.As longas linhas da espuma cinzadesenham uma barreira de recifediante da balaustrada da praia.Ouvi teu nome pronunciado na línguado mar. E ele diz que estás partindo. Repetem-no as negras, solitárias cegonhasque em silêncio planam sobre a água.Nunca saberei o que sabes tu de mim,ou em que verdade estivemos juntos,ou…
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Joan Margarit – Riera Pahissa

RIERA PAHISSA […] why abandon a belief merely because it ceases to be true?ROBERT FROST Deixava-te na entrada da escola,em frente ao estreito portão daquele muro que, encerrando a horta de um convento,seguia o leito seco de um riacho.Por uma pequena ponte de ferro com tábuascruzava-se a ravina sobre o brilhode algumas poucas poças como…
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Joan Margarit – Não há milagres

Chovia preguiçosamente.Dezenove de outubro, nove da noite.Joana foi assustada para a sala de cirurgiaem nossa companhia.Quando entrou, ficamos esperandona sala mal iluminada ao lado dos elevadores.Contam que, em uma tentativade se salvar, ela disse um eu te amo ao cirurgião.Acreditávamos que uma fada poderia nos devolverJoana, calma, como sempre,com seus confiantes olhos cintilantes.Às onze, observamosas…
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Joan Margarit – Enquanto tu dormes

Na praça tomada pela chuvaobservo a alta janela iluminadaque não quero perder: não hei de render-meà condenação da vida.Este lugar não mais pertence à cidade:uma praça vazia com a luzdo hospital refletindo nas poças.As portas automáticasse abrem de vez em quando e dão lugara uma obscura figura corriqueira.Muletas cruzam, invisíveis, a ruae se aproximam de…
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Pere Rovira – Oração para J. M. R.

Música do amor, que te escondesem lugares escuros, doces, como rosas do jazz,ilumina o dia azul, espalha-te sob os pinheirose faz brilhar as flores, as paredes e a terra.Sê aquela água secreta que esperávamos,e, por um momento, devolve-nosa eterna criança que hoje abandonamosem poços invisíveis.Um pouco de um instante, para que nos ajudea não chorar…
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Joan Margarit – Joana (Prólogo)

PRÓLOGO Do que sinto sobre o amanhã, o que mais se parece com uma certeza é que Joana e eu nunca mais voltaremos a nos ver. Quão diferente seria a vida se a morte fosse esperar muitos milhões de anos para podermos nos encontrar novamente, ainda que só por alguns breves instantes. Mas o abismo…
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Nelson Santander – Apresentação de “Joana”, de Joan Margarit

Em 16 de fevereiro deste ano, falecia, aos 82 anos de idade, vítima de um câncer, Juan Margarit I Consarnau, o grande poeta, arquiteto e catedrático catalão (foi professor da disciplina Cálculos Estruturais da Escola Superior de Arquitetura de Barcelona, de 1964 até sua aposentadoria, em 1998), vencedor do Prêmio Miguel de Cervantes (2019), dentre…
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Charles Simic – Igreja de madeira

É só uma choupana fechada com uma torreSob o céu de um verão escaldanteEm uma estrada secundária percorrida raramenteOnde as sombras de árvores grandesRoçam-se tranquilamente como forcas enfileiradas,E corvos privados de carniçaGrasnam uns com os outros sobre dias melhores. A congregação talvez ainda esteja em oração.Das fotos salpicadas, famílias de fazendeiros Enfileiradas com suas cabeças…
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Ada Limón – Mar aberto

“Mar aberto”, um poema de Ada Limon que transforma uma lembrança de despedida em uma meditação delicada sobre perda, identidade e permanência.