Categoria: Poema
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Meio-dia

Meio-dia. Um canto da praia sem ninguém.O sol no alto, fundo, enorme, aberto,Tornou o céu de todo o deus deserto.A luz cai implacável como um castigo.Não há fantasmas nem alvas,E o mar imenso solitário e antigo,Parece bater palmas. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 09/08/2017
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Jean Sprackland – Perdendo o escuro

Novembro, quando o dia deveria terminar mais cedocomo um livro maçante. Mas naquela tardeuma pequena nuvem em forma de ponto de interrogaçãopassou sobre o sol e se dissolveu.Seis horas; oito; dez. E a luz do diaainda inundava a rua espantada. Uma dádiva. Como uma daquelas noites de verãoem que nos sentamos, copo na mão,sob a…
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Rainer Maria Rilke – O Mundo Estava no Rosto da Amada

“O Mundo Estava no Rosto da Amada”, um poema de Rainer Maria Rilke que concentra o infinito no rosto amado e revela o amor como excesso que nos transborda e nos desfaz.
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W. S. Merwin — Um aniversário

Algo continua e eu não sei como chamá-loembora o idioma esteja cheio de sugestõesem termos de linguagem mas elas todas são anônimase é quase seu aniversário música junto aos meus ossosnestas noites ouvimos os cavalos correndo na chuvaao parar a lua aparece e nós ainda estamos aquias goteiras no telhado continuam pingando depois que a…
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Paulo Henriques Britto – Envoi

O tempo, que a tudo distorce,às vezes alisa, conserta,e a golpes cegos acerta: em seu tosco código Morsede instantes sem rumo e roteiroentão dá forma a algo de inteiro. Não um verso, que em folha esquivaa gente retoca e remendaaté ser coisa que se entenda, mas algo que na carne vivase esboça, se traça, se…
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Sara Teasdale – Eu não sou tua

Eu não sou tua, e não estou perdida em ti,Não estou perdida embora deseje estarPerdida como uma vela acesa ao meio-dia,Perdida como um floco de neve no mar. Tu me amas, e eu ainda te consideroUma alma com brilho e beleza incontroversa,Contudo, eu sou eu, que anseia por estarPerdida como uma luz que na luz…
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Linda Pastan – Chegamos ao silêncio

Chegamos ao silêncio lentamente. Levados ao mundopor uma onda de som,mais tarde o deixamos de bocas fechadas,nossas línguas, pesadas como pedras para nos ancorarna terra. Agora ouvimoso vento nas folhas farfalhantes,um burburinho de águasobre as pedras,a batalha musicaldos pássaros.Considere a orelhaem forma de clave de fá,mas vazia.Considere os espaços entre as estrelas,solilóquios de luz.É quase…
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Vinicius de Moraes – O poeta Hart Crane suicida-se no mar

Quando mergulhaste na águaNão sentiste como é friaComo é fria assim na noiteComo é fria, como é fria?E ao teu medo que por certoTe acordou da nostalgia(Essa incrível nostalgiaDos que vivem no deserto…)Que te disse a Poesia? Que te disse a PoesiaQuando Vênus que luziaNo céu tão perto (tão longeDa tua melancolia…)Brilhou na tua agoniaDe…
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Faith Shearin – Cinzas, cinzas

O inverno é a morte pela qual todos temos esperado.Mesmo nas Festas, em que o ano novo é louvado,os galhos se quebram sob o peso da neve.Conhecemos esta estação como reconheceremos o fimde nossas vidas quando a vida estiver na metade.Os anos seguem o caminho dos dentes da infância: premidos tãoesperançosamente sob travesseiros limpos. Pele…
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Abel Silva – Navegações

Minha casa está calma,eu é que sou turbulento,o país navega, dizem,eu é que me arrebentoeu é que sempre inventotoda esta ventaniaeu é que não me contentocom o rumo da romaria não sei se a sorte é cegaou eu que vivo a teimar:sei que eu sou o barcoo marinheiroe o mar. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog…