Categoria: Poema
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Ana Martins Marques – de “Três Postais”

Leia “São Paulo” (de ‘Três Postais’), de Ana Martins Marques, um poema delicado sobre memória amorosa, ausência e a forma como os lugares preservam aquilo que perdemos.
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Wendy Cope – Em um trem

O livro que estou lendo repousa em meu joelho. Você dorme. Lá fora é tão bonito —campos, pequenos lagos e árvores de invernosob o sol de fevereiro,cada estacionamento um brilhante mosaico. Longos e radiantes minutos,sua mão na minha mão,ainda quente, ainda quente. Trad.: Nelson Santander On a Train The book I’ve been readingrests on my…
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José Alcaraz – Volta para Casa

Atravessa as ruasabsorto nos ecos das pessoas,distante até de seus pensamentos.Não chove, não abre o seu guarda-chuva,no entanto, como sempre, molham-senão só seus sapatoscomo a vida também, porque às vezesesquece que o mundo o reclama.Caminha como quem não sabe para onde,em cada passo crê estar sozinho,mais distante das outras pessoas,por isso demora a encontrar as…
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Ferreira Gullar – Poema

Se morro o universo se apaga como se apagam as coisas deste quarto se apago a lâmpada: os sapatos–da–ásia, as camisas e guerras na cadeira, o paletó– dos–andes, bilhões de quatrilhões de seres e de sóis morrem comigo. Ou não: o sol voltará a marcar este mesmo ponto do assoalho onde esteve meu pé; deste…
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Manuel António Pina – Interiores

Onde estamos agora que não nos vemos,tu sentada diante da TVe eu escrevendo isto, não sei o quê,como outros dois que nós não conhecemos? Será que alguma coisa permaneceudo nosso amor como uma inevitabilidade,uma saudade pousada agora na mão de Deusexistindo para sempre na sua breve eternidade? Talvez percorramos uma rota circularatravés da curvatura do…
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Finn Butler – Marinho

Todos os que o amedrontam são sessenta e cinco por cento água.E todos os que você ama são feitos de poeira estelar, e eu sei queàs vezesvocê nem consegue respirar profundamente,o céu noturno não é seu lar evocê já chorou sozinho até dormir tantas vezesque chegou aos seus últimos dois por cento, mas nada é…
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Jorge Luis Borges – As Causas

Todas as gerações e os poentes.Os dias e nenhum foi o primeiro.A frescura da água na gargantaDe Adão. O ordenado Paraíso.O olho decifrando a maior treva.O amor dos lobos ao raiar da alba.A palavra. O hexâmetro. Os espelhos.A Torre de Babel e a soberba.A lua que os Caldeus observaram.As areias inúmeras do Ganges.Chuang Tzu e…
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Maya C. Popa – Vida querida

Não posso desfazer tudo o que fiz a mim mesma,o que permiti que um apetite por amor me fizesse. Eu quis o mundo todo, suas maravilhase suas mazelas; alguns diasacho que já houve castigo suficiente. Com frequência, recebi mais do que pedi, que é como isso funciona — você pesca em mar abertopronta para ser…
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Hans Magnus Enzensberger – Discurso pós-jantar em um noivado

Este eu, um invólucro que,contanto que ninguém o abra,parece compacto, regularcomo um Kinder ovo,quase apetitoso. Só por dentroé escuro. Quem sabeo que estará esperando por você lá.Obsessões, sem dúvida,hábitos enferrujados,medos incompreensíveis,truques de segunda mão,desejos infantis.Que você deseje tê-la,esta caixa de presente,beira o milagre. Trad.: Nelson Santander (a partir de tradução do alemão para o inglês…
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Amalia Bautista – No final

Leia “No final”, de Amalia Bautista, um poema breve e comovente sobre amor, finitude e as poucas coisas que realmente importam na vida.