Categoria: Poema
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Anne Sexton – Para o meu Amante Voltando Para a Esposa

“Para o meu amante voltando para a esposa”, um poema de Anne Sexton que explora a tensão entre paixão e permanência através da voz de uma amante que reconhece a força dos laços familiares e conjugais.
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Paulo Henriques Britto – Bálsamo

Seja hoje um dia igual a qualquer outro,um dia besta, esvaziado e amorfo, o tipo de data que é esquecidaantes mesmo de virada a folhinha, e esteja você completamente imersoneste dia, como um peixe dessas espécies das regiões abissais, isentas de luz,longe do ar e seus azuis, que nas funduras de silêncio e noitefalta não…
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Mario Benedetti – Tempo sem Tempo

Preciso de tempo, necessito desse tempoque os outros deixam de ladoporque lhes sobra ou já não sabemo que fazer com eletempoem brancoem rubroem verdemesmo em castanho escuronão me importa a corcândido tempoque eu não posso abrire fecharcomo uma porta tempo para olhar uma árvore, um farolpara caminhar à beira do descansopara pensar que bom que…
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Paulo Henriques Britto – Sobre o real

Há motivos bem sérios para nãose acreditar em nada de específico,quanto mais em geral. Pois se a razãotem algum valor, é ponto pacífico que conclusões geradas pela mentesó podem validar ulterioresconclusões, porém rigorosamentenada nas regiões inferiores, menos nefelibatas, da supostarealidade, em que as coisas têm pesoe consistência. Aqui tudo é uma aposta mais ou menos…
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Manuel António Pina – Luz

Talvez que noutro mundo, noutro livro,tu não tenhas morridoe talvez nesse livro não escritonem tu nem eu tenhamos existido e tenham sido outros dois aquelesque a morte separou e um delesescreva agora isto como seacordasse de um sonho que um outro sonhasse (talvez eu),e talvez então tu, eu, esta impressãode estranhidão, de que tudo perdeude…
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Paulo Henriques Britto – de “Ao Leitor”

V Sofro dos nervos, como se diziaantigamente — ou, mais antigamenteainda, mergulho (mesmo de dia)numa “noche oscura del alma” (ou “mente”, para aliviar o peso asfixiantede dois milênios de neura cristã),estado em que a existência por um instante(que às vezes dura toda uma manhã) é um mal desnecessário, uma arrastada(talvez interrompível) epopeiasem herói — e…
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Roger Wolfe – A Última Noite da terra

O melro de todos os anos voltou a visitar minha casaE, no entanto, ainda estou aqui.Sua melodia não muda, já o disse antes.Mas meu trabalho é constatar o óbvio,e é isso que o melro me faz lembrar.O tempo passa, as pessoas envelhecem e morrempor sua própria mão ou com ajuda.As palavras escorrem pelo ralodo que…
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Rosanna Warren – Lago

Você estava com água até as coxas e a luz verde refletianas cavidades dos seus quadris e no estômago, que é onde a chama pilotoardia nas antigas estátuas de Dionísio,e por um momento, enquanto você caminhava mais em direção ao fundo, parecia queaquela água poderia lavar o pesode suas próprias estações e de doenças que…
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Marina Colasanti – Rota de Colisão

De quem é esta peleque cobre a minha mãocomo uma luva?Que vento é esteque sopra sem soprarencrespando a sensível superfície?Por fora a alheia cascadentro a polpae a distância entre as duasque me atropela.Pensei entrar na velhicepor inteirocomo um barcoou um cavalo.Mas me surpreendojovem velha e maduraao mesmo tempo.E ainda aprendo a viverenquanto avançona rota em…
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Abdellatif Laâbi – Duas horas em um trem

Em uma viagem de trem de duas horasEu revejo o filme da minha vidaCerca de dois minutos por anoMeia hora para a minha infânciaoutra para o meu tempo na prisãoEnquanto o amor, livros e viagenscompartilham o restoA mão de minha parceira gradualmentese funde à minha e sua cabeça,que repousa em meu ombro,parece leve como uma…