Categoria: Poema
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Linda Pastan – Graça

Quando o jovem professor juntouas mãos no jantar e falou com Deussobre a minha chegada em segurançaem meio à neve, agradecendo-Lhe tambémpelo alimento que iríamos comer,foi no tom de voz que eu costumousar para falar com meus amigos quando ligoe sou atendida pela secretária eletrônica,com a qual converso sobre isso e aquilousando um tom casual,imaginando…
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Joan Margarit – Ulisses nas águas de Ítaca

Estás chegando à ilha e agora sabeso que é o acaso. Viver, o que significa.Teu arco será pó em uma prateleira.Pó será o tear e a peça que ele tece.Os pretendentes, que no pátioacamparam,são sombras dos sonhos de Penélope.Estás chegando à ilha enquanto o mararrebenta nas rochas da costa,como faz o tempo com a Odisseia.Ninguém…
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Tess Gallagher – Escolhas

Dirijo-me para o lado da casa de onde se vêa montanha, a fim de aparar as árvores novase desobstruir a vista para a neve sobre as serras. Mas quando olho para cima,serrote na mão, vejo um ninho agarradoaos galhos mais altos.Não corto esta.E também não corto as demais.De repente, em cada árvore,um ninho invisívelonde uma…
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Ruy Belo – Através da chuva e da névoa

Chovia e vi-te entrar no marlonge de aqui há muito tempo jáó meu amor o teu olharo meu olhar o teu amorMais tarde olhei-te e nem te conheciaAgora aqui relembro e pergunto:Qual é a realidade de tudo isto?Afinal onde é que as coisas continuame como continuam se é que continuam?Apenas deixarei atrás de mim tubos…
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Li-Young Lee – Comendo sozinho

Colhi as últimas cebolas frescas do ano.O jardim está limpo agora. O solo está frio,gasto e pardacento. O que resta do diaarde nos bordos, nas bordas dos meusolhos. Eu me viro, um cardeal desaparece.Junto à porta da adega, lavo as cebolas,depois bebo da gelada torneira de metal. Certa vez, anos atrás, caminhei ao lado do…
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Henri Michaux – Nós dois ainda

1948 Música do fogo, tu não soubeste tocar. Lançaste sobre a minha casa um pano negro. O que é este opaco em toda a parte? É o opaco que tapou o meu céu. O que é este silêncio em toda a parte? É o silêncio que calou o meu canto. * De esperança tinha-me bastado…
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Christopher Bursk – “Ashes, Ashes, We All Fall Down”

“Ashes, Ashes, We All Fall Down“1 Se vou me transformar em cinzas em uma década ou algo assim,por que ficar acordado até depois da meia-noite encarando a TVcomo se ela pudesse mudar de opiniãoe eleger, por uma vez, um candidato independente para o cargoou acabar com a guerra e, ao mesmo tempo, remover a acne…
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Víctor Botas – “Collige, virgo, rosas”

Não faltam os que suponham que em sessentabilhões de anos estaremos de voltaao mesmo estado de agora (ao que parece,o Espaço se dilata para logo,elástico, contrair-se e mais uma vezdilatar-se), repetindotu, as profundidades desses olhos,eu, este esperar a morte de tuamão agonizante nas minhas, aquimesmo, precisamente neste lugar. Mas, casoseja tudo uma farsa e nunca…
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Rui Caeiro – [Fica e é só o que fica]
![Rui Caeiro – [Fica e é só o que fica]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2023/02/jhp-50.jpg)
Fica e é só o que fica: o primeiro encontroo primeiro beijo numa gare desertao mar por líquida ou aérea testemunha depois a longa gestação do adeusúnico e verdadeiro adeuso subtil envenenamento da memória
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Luis Alberto de Cuenca – “Collige, virgo, rosas”

Moça, colhe as rosas, não esperes a manhã.Corta-as sem hesitar, sem comedimento,sem parar para pensar se são boas ou más.Que não reste nenhuma. Poda os roseiraisque encontrares pelo caminho e deixa os espinhospara tuas colegas do colégio. Desfrutada luz e do ouro enquanto podes e consagratua beleza a esse deus rechonchudo e melancólicoque passeia pelos…