Categoria: Poema
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Ann Fischer-Wirth – Milagre de um coração sagrado e três folhas de faia, cada uma machada de verde e carmesim

“Milagre de um coração sagrado e três folhas de faia”, um poema de Ann Fischer-Wirth que resgata, na matéria frágil do envelhecer, a persistência luminosa da identidade e da ternura.
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Fady Joudah – Mimesis

Minha filha não faria mal a uma aranhaQue se aninhouEntre as manoplas de sua bicicletaPor duas semanasEla esperouAté que a aranha fosse embora por conta própria Se você desfizera teia eu disseEla simplesmente vai saberQue este não é um lugar que possa chamar de larE você poderia sair para pedalar Ela disse é assim que…
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Pierre de Ronsard – Quando fores bem velha…

Quando fores bem velha, à noite junto à vela,Sentada ao pé do fogo, enovelando e fiando,Dirás, cantando os versos meus e te enlevando:“Ronsard me celebrava ao tempo em que era bela”.Então nem haverá, ouvindo o recital,Serva, ao fim do trabalho e semi-sonolenta,Que, com som do meu nome, não desperte atentaA saudar o teu nome em…
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Otto D’Sola – Plenitude

Da formiga à estrela mais alta, fomos capazes de tecer uma longa história que nunca acabará;da rocha aos pinhais,dos pântanos ao berço de um tênue vento recém-nascido, fomos capazes de dar ao solo duro e seco a alegria de contemplar uma estrela e uma flor aberta. Permeada de canções, beijos e mariposas, nossa história é…
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Joan Margarit – Era Rubra

A Àlex Susanna Levaste tanto tempo para aprenderque chegas tarde ao grande amor:nunca viveste uma era de ouro.As rosas de Ronsard*jamais perfumarão teu olhar,nenhum outono desfolharámorosas pétalas nos braços de ninguém.Com negligência ocultas os espelhoscomo se fazia nas casasonde havia um defunto.Não voltam as mulheres com as quaistrocaste anos de solidãopor um fugaz momento de…
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Jane Mead – Eu me pergunto se sentirei falta do musgo

Quando eu voar para longe, me perguntose sentirei falta do musgo como agora sinto,só de pensar em partir. Havia pedras de muitas cores.Havia gravetos hospedandolíquen e musgo.Havia portões vermelhos com antiquadasferragens forjadas à mão.Havia campos de capim secocom o cheiro das primeiras chuvase então de lama fresca. Havia lama,e havia a caminhada,toda a bela caminhada,e…
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Joan Margarit – A partida
Definitivamente, este é o meu Outono,um tempo de alianças impossíveis,a era rubra de todos os perigospara homens maduros e mulheres solitárias.A era do adultério e da desmemóriasem nenhuma esperança, a era do gelo,a partida final contra mim mesmo.Permaneço à mesa, sem esperar pela sorte,já não há chances neste jogo.É o tempo de jogar paciênciacom as…
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Meghan O’Rourke – Erro não forçado

Outrora: aqueles longos e úmidos verões em Vermont.Sem dinheiro e nada para fazer além de ler, nadarno rio com homens de shorts jeans,e depois jogar bingo fora da igreja, comemorando quando ganhávamos.Nada parecia real para mim e tudo aquilo era muito vivo e real.Levei muito tempo para aprender o quanto eu estava errada —além da…
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Jorge de Sena – Nasceu-te um filho

Nasceu-te um filho. Não conhecerás,jamais, a extrema solidão da vida.Se a não chegaste a conhecer, se a vidata não mostrou – já não conhecerás a dor terrível de a saber escondidaaté no puro amor. E esquecerás,se alguma vez adivinhaste a paztraiçoeira de estar só, a pressentida, leve e distante imagem que iluminauma paisagem mais distante…
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David Mourão-Ferreira – Praia do Paraíso

Era a primeiraVez que nus os nossos corposApesar da penumbra à vontade se olhavamSurpresos de saber que tinham tantos olhosQue podiam ser luz de tantos candelabrosEra a primeira vez cerrados os estoresSó o rumor do mar permanecera em casaE sabias a sal, e cheiravas a limosQue tivesses ouvido o canto das cigarrasHavia mais que céu…