Categoria: Poema
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José Mateos – Canção 1

Ainda quase um meninoe sentaste a esperar àbeira do grande silêncio. Pensavas que, a sóscom tua voz, talvez pudessesroubar ao mar seu segredo. Foi-se a tua juventude.Mudos passaram os anose agora estás oco por dentro. Poderias, se enfim soasseo acorde do grande silêncio,chegar a cantar seu eco? Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO poema publicado na página…
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Jeffrey McDaniel – O mundo silencioso

Na tentativa de fazer as pessoas olharemmais nos olhos umas das outras,e também para apaziguar os mudos,o governo decidiu atribuira cada pessoa exatamente cento e sessenta e sete palavras por dia. Quando o telefone toca, coloco-o no ouvidosem dizer alô. No restaurante,aponto para a sopa de macarrão com frango.Estou me adaptando bem ao novo jeito.…
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Paulo Henriques Britto – Nenhuma Arte

Os deuses do acaso dão, a quem nadalhes pediu, o que um dia levam embora;e se não foi pedida a coisa dadanão cabe se queixar da perda agora.Mas não ter tido nunca nada nãoseria bem melhor — ou menos mau?Mesmo sabendo que uma solidãocompleta era o capítulo final,a anestesia valeria o preço?(Rememorar o que não…
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Alison Luterman – Eu admito

Eu a seguino mercado; sua coroade tranças de neve presa por um grande grampo de prata,seu porte ereto, irradiando ternura,a maneira como ela colocava iogurte e abacates em sua cesta,irradiando paz como a Estrela Polar.Eu desejei perguntar: “Em que prateleira você encontrousua serenidade? Você sabecomo manter um casamento de cinquenta anos, ou como viver sozinha,desculpe-me…
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Francisco Brines – O Triunfo do Amor

“O Triunfo do Amor”, um poema de Francisco Brines que confronta a devastação do tempo com a persistência íntima do amor, fazendo do coração acelerado o último gesto contra o vazio duradouro.
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Charles Simic – O ausente

Alguém está chegando tarde em casa.A lâmpada deixada para ele na janelaArde à medida que o dia amanhece,E arderá ainda por muitos meses. Nossa pequena rua é escura à noite.As gaiolas são cobertas cedo.Os peixinhos dourados mal se mexem em seus aquários.Até mesmo as luzes da varanda estão apagadas, Deixando apenas a janela acesaPara as…
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Rupi Kaur – Depressão é uma sombra que mora em mim

ontemquando saí da camao sol caiu no chão e rolou pela gramaas flores decapitaram a si mesmasa única coisa viva que sobrou fui eue eu já não sei se isso é vida Trad.: Ana Guadalupe REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 20/11/2018
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James Stephens – Deirdre

Mulher alguma leia este poema,composto para homens; e depois para seus filhose os filhos dos seus filhos. Já veio o tempo de abater-se o coração:basta lembrarmos Deirdre* e sua história,oh! que seus lábios já são poeira! Outrora ela pisava a terra; os homensseguravam-lhe a mão; fitavam-na e diziamo que lhe tinham a dizer, e ela…
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Joan Margarit – Aventura Doméstica

Sozinho em casa, vasculhando os armários.Encontro um antigo mapa rodoviário,contratos vencidos, canetas-tinteiroque já não escreverão mais cartas,calculadoras com pilhas descarregadase relógios que o tempo derrotou.Nas profundezas das gavetas, como um rato triste,aninha-se o passado. Vazios, os vestidospendem como velhos personagensque nos interpretaram.De repente, encontro também tua lingerie,cor de areia, da noite, com pequenos bordados.Calcinhas, sutiãs,…
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Louis Macneice – E o amor pairou sobre a cama

“E o amor pairou sobre a cama”, um poema de Louis MacNeice que captura a suspensão luminosa do amor após a paixão, instante frágil ameaçado pela inevitável retomada do mundo.