Categoria: Poema
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Mary Ruefle – Desconstrução

Acho que as sereias de A Odisseia cantaram A Odisseia,pois não há nada mais atraente, mais terrível,do que a história de nossa própria vida, aquela que nãoqueremos ouvir e faremos de tudo para escutar. Trad.: Nelson Santander Deconstruction I think the sirens in The Odyssey sang The Odyssey,for there is nothing more seductive, more terrible,than…
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Amalia Bautista – Nu de Mulher

Para ti nunca passei de um blocode mármore. Esculpiste nele o meu corpo,um corpo de mulher branco e formoso,em que não viste nada a não ser pedrae o orgulho, isso sim, do teu trabalho.Nunca imaginaste que eu te amavae que tremia quando, docemente,me modelavas os seios e os ombros,ou alisavas as coxas e o ventre.Hoje,…
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Randall Jarrell – O rosto

O Rosto Die alte Frau, die alte Marschallin!* Não é mais agradável, tampouco belo, Nem mesmo jovem. Este não é o meu. Onde está o antigo, os anteriores? Aqueles eram os meus. É assim: eu tenho fotos, Mas não tão antigas; as pessoas se comportavam De forma diferente antigamente… quando me encontram hoje, dizem: Você…
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América, Aztecas – O rio passa, passa

O rio passa, passae nunca cessa.O vento passa, passae nunca cessa.A vida passa:nunca regressa. Versão: Herberto Helder REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 10/12/2018
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Sharon Olds – Destino

Finalmente desisti e me tornei meu pai,sua face oleosa e abatida, brilhando paraqualquer pessoa que eu olhasse, seus olhos castanhos-lodoem meu rosto, cintilando como chão molhado em queas coisas que amamos caíram, e se perderam para sempre. Não mais tenteinão ter o mau hálito dele,sua postura derrotada de fracasso, seu tristesexo pendurado entre suas coxas,…
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Ian Hamilton – Memorial

Quatro lápides gastas apoiam-se na parededo teu asilo Vitoriano.Além dos limites, ajoelhas-te na grama altaDecifrando nomes apagados:Velhos lunáticos que aqui morreram. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO com alterações na tradução: poema publicado anteriormente na página originalmente em 09/12/2018 Ian Hamilton – Memorial Four weathered gravestones tilt against the wallOf your Victorian asylum.Out of bounds, you kneel…
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Ellen Bryant Voigt – A cúspide

Tão poucos pássaros — os que passam o invernoe os gansos migrando pelos campos vazios,atravessando as hastes retorcidas de milho cortado:ao nosso redor, tudo o que é verde é suprimido,e na melancólica floresta, as árvores nuas,despidas de folhas ou quase sem elas,formam uma morada sombria entre nuvens baixasque têm o aspecto de neve obstinada. Em…
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José Carlos Soares – Camel Blue

“Camel Blue”, um poema de José Carlos Soares que contrasta o silêncio do cemitério com a indiferença do céu, revelando a pequena e inquieta persistência da vida entre os restos da morte.
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Louise Glück – Um silêncio bem afiado

Deixa eu te contar uma coisa, disse a senhora.Estávamos sentadas, uma diante da outra,no parque de cidade conhecida por seus brinquedos de madeira. Na época, eu tinha fugido de um triste caso amorosoe, por penitência ou autocastigo, fui trabalharnuma fábrica, onde esculpia à mão minúsculos pés e mãos. O parque era meu consolo, sobretudo nas…
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Halldís Moren Vesaas – Oração à Vida

A vida terrena, única, seja o meu quinhão!Vida minha, tudo o que tenho na tua mão!Toma-me e usa-me e exaure-me nos diase então me larga alhures, alijada de ti, friae impotente e condenada a não renascerna noite, na eterna noite sem amanhecer! Trad.: Luciano Dutra REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 28/11/2018 BØN TIL…