Categoria: Poema
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James Tate – A volta para casa

Eu disse ao médico que nunca mais o veria. “Não, achoque não”, ele disse. Saí pela porta me sentindo realmente bem.Claro, eu sabia que ia morrer, mas ainda assim o dia parecia claropara mim. Caminhei até o lago. Patos circulavam ao redor por ali.Vi um veleiro passar. Prossegui ao longo da margem. O sol batiaem…
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Paulus Silentiarius – da “Antologia Grega”

Zeus, em chuva de ouro, atravessou o bronzeque guardava Danae e roubou-lhe a virgindade.Moral da história: o ouro tudo domina – paredese grilhetas de bronze, fechaduras e peias.Foi o ouro que subjugou Danae. Não é necessáriorezar a Afrodite; só é preciso dinheiro. Versão: José Alberto Oliveira REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 30/10/2018
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Dorianne Laux – De qualquer forma

Se estamos fraturados,assim o estamoscomo estrelasfeitas para brilharem todas as direções,por qualquer dimensão,bilhões de anos desde então. Não lamentareio humano, ainda não.Há algo maispor vir, nossos coraçõessão como uma mina de ouroinexplorada,um mar desconhecido. Nada se foi para sempre.Se viemos do póe ao pó voltaremos,então podemos descobrir ocaminho para qualquer coisa. Ainda não se sabe…
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Páladas – da “Antologia Grega”

Nascidos nus. Enterrados nus.Qual a azáfama? Toda a vidaconduz à primeira nudez. Versão: José Alberto Oliveira REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 29/10/2018
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Maya C. Popa – O que não foi dito

Com que frequência, dirigindo por aquelas estradas,receávamos não bater em algo,as cabras pelas quais passamos naquela manhãpastoreadas àquela hora para que os chacaisnão as matassem mais rapidamente,a gema vermelha rompendo sobre os picosenquanto corríamos contra a luz, descendo a montanha? Apenas uma vez um javali irrompeu do bosquecomo uma pergunta rapidamente retirada.Depois ficamos sozinhos outra…
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Lucilius – da “Antologia Grega”

Eutychides, o poeta lírico, morreu.Fugi, ó moradores do Hades! – ele transporta odese ordenou que consigo queimassemvinte liras e vinte e cinco pautas de música,que Caronte terá de transportar.Onde se poderá encontrar refúgio,agora que Eutychides canta pela eternidade? Versão: José Alberto Oliveira REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 28/10/2018
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Natasha Trethewey – Blues do Cemitério

Choveu o tempo todo enquanto a deitávamos no chão;Choveu da igreja ao túmulo quando a enterramos no chão.A sucção da lama em nossos pés: uma murmuração. Quando o pregador conclamou, eu levantei a minha mão;Quando ele pediu uma testemunha, ergui a minha mão —A morte detém a lida do corpo, a alma do artesão. O…
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Anônimo – da “Antologia Grega”

Não esbanjem comigo o odor da mirra,nem ofereçam coroas de flores,nem acendam a pira funerária,tudo isso é desperdício; ofereçam-mepresentes, se quiserem, enquantoestiver vivo – mas espalhar cinzasno vinho torná-lo-á lamae dele não beberão os mortos. Versão: José Alberto Oliveira REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 27/10/2018
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Andrea Cohen – Crepúsculo

Havia, enquanto caminhávamos pelas planícies salgadas ao crepúsculo,uma linha invisível entre nós –até que eu senti sua tesoura invisível. Trad.: Nelson Santander Dusk There was, as we walked the salt flats at dusk, an invisible thread between us –and then I felt her invisible scissors.
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Automedon – da “Antologia Grega”

Mandaste chamá-la, disseste para vir,preparaste tudo. Mas, se vier, o que farás?Repara no que se passa contigo, Automedon.Esse canalha, que era alegre e firme, estáagora flácido, como cenoura cozida, mortoe encolhido entre as pernas. Como irãorir se te puseres a navegar de mãosvazias, um remador que perdeu o remo. Versão: José Alberto Oliveira REPUBLICAÇÃO: poema…