Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Ian Hamilton – Memorial

Quatro lápides desgastadas inclinam-se contra a parede do seu hospício Vitoriano. Além dos limites, você se ajoelha na grama alta Decifrando nomes obliterados: Velhos lunáticos que aqui morreram. Trad.: Nelson Santander Ian Hamilton – Memorial Four weathered gravestones tilt against the wall Of your Victorian asylum. Out of bounds, you kneel in the long grass…
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Joan Margarit – Tchaicovsky

Não te suicides nunca. Olha a escuridão: nunca poderás saber quem te estende a mão. Lembras-te do inverno de luz nos cristais e a cumplicidade daquela música? Ouço a Patética e me vejo desejando que a morte de Joana nos devolvesse a ordem e a felicidade que acreditamos perder quando ela nasceu. Amor meu, Joana,…
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Francisco Brines – Sitiado pela Divindade

Hoje voltas-te para o mar, com o corpo nu como na juventude, e todo o peso de ouro caindo sobre as costas como um interminável falcão que, azul, plana ao largo e pousa no braço, sem emitir sons, e respira. Descubro, com sereno assombro, minha existência, e o mundo então existe – o mar, que…
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José Mateos – Canção 1

Ainda quase um meninoe sentaste a esperar àbeira do grande silêncio. Pensavas que, a sóscom tua voz, talvez pudessesroubar ao mar seu segredo. Foi-se a tua juventude.Mudos passaram os anose agora estás oco por dentro. Poderias, se enfim soasseo acorde do grande silêncio,chegar a cantar seu eco? Trad.: Nelson Santander José Mateos – Canción 1…
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Eunice de Souza – Primavera Relutante

os corrupiões dourados se foram. as mariquitas estão em silêncio. a última folha vermelha na amendoeira recusa o próprio outono. Trad.: Nelson Santander Reluctant Spring the golden orioles have gone. the warblers are silent. the last red leaf on the almond tree refuses to fall
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Juan Ramón Jiménez – Com tua Voz

Quando eu estiver com as raízes chama-me com tua voz. A mim parecerá que entrou tremendo a luz do sol. Trad.: Nelson Santander Juan Ramón Jiménez – Con tu voz Cuando esté con las raíces llámame tú con tu voz. Me parecerá que entra temblando la luz del sol.
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Francisco Brines – O Triunfo do Amor

Eu te amei em Queroneia. Vivos estávamos. Entre a tristeza arruinada um sopro mortal: estávamos vivos. Séculos se passaram, e outros olhos contemplam as ruínas, ainda intactas. Quem passou por aqui? Apenas o vazio foi o tecido do tempo nesta planície. Eu te amei em Queroneia. Impalpável era o calor das cinzas humanas, e na…
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Joan Margarit – Aventura Doméstica

Sozinho em casa e vasculhando os armários. Encontro um antigo mapa rodoviário, contratos vencidos, esferográficas que já não escreverão nenhuma carta, calculadoras com pilhas descarregadas e relógios que o tempo derrotou. No fundo das gavetas, como um rato triste, aninha-se o passado. Vazios, os vestidos pendem como velhas personagens que nos interpretaram. Súbito, encontro também…
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Ricardo Molina – Convite à Felicidade

Es dulce ser amado pero amar, oh dioses, qué ventura… Goethe Ama-me agora que tenho os cabelos pretos e uma coroa de junco e o perfume da água e da esteva nos braços nus. Ama-me agora que tenho nos olhos a suave chama da tarde e a graça do sorriso e a leve frescura dos…
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Joan Margarit – A Espera

Tantas coisas estão sentindo tua falta. Assim preenchem-se os dias, instantes feitos de esperar por tuas mãos, de sentir falta de tuas pequenas mãos, que pegaram nas minhas tantas vezes. Temos de nos acostumar com tua ausência. Um verão já passou sem teus olhos e o mar também haverá de acostumar-se. Tua rua, ainda por…