Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Amalia Bautista – Ver o Sol

Leia “Ver o Sol”, de Amalia Bautista, um poema breve e intenso sobre desilusão amorosa, percepção e as difíceis verdades da experiência humana.
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José Mateos – Caminhantes na Neblina

Símbolo da morte é esta neblina que hoje me envolve nos ecos do bosque solitário, que apaga os caminhos e tudo iguala, que faz mais longe o próximo? Assim será a morte? Ouvir ao lado as pessoas que amamos e não vê-las? Saber que em nossa casa nos aguardam, e não poder, e não saber…
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Angela Figuera Aymerich – Princípio e Fim (na morte de minha mãe)

Já tenho minha raiz debaixo da terra. Já um pouco morta contigo, mãe, há algo da minha vida que se decompõe contigo, com teus ossos delicados, com tuas veias azuis, com teu ventre que côncavo sofreu, dando-me forma. Na ignorância, mãe, não no pecado mostraste-me como a vida brota. Como a carne cresce e se…
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Spencer Reece – Portofino

Prometa-me que você não esquecerá Portofino. Prometa-me que você encontrará o trompe l’oeil nas paredes daquele quarto no Splendido. As paredes que criam um cenário em que você não pode entrar. Talvez então você compreenda esse anseio por permanência do qual sempre lhe falei. Além do porto? Uma capela amarela. Um penhasco. Prometa-me que você…
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Joan Margarit – Era Rubra

A Àlex Susanna Tanto tempo demoraste a aprender que estás atrasado para o grande amor: que nunca viveste uma era de ouro. As rosas de Ronsard jamais serão perfume em teu olhar, nenhum outono haverá de desfolhar morosas pétalas nos braços de ninguém. Com negligência tapas os espelhos como era costume em casas onde havia…
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Joan Margarit – A partida
Definitivamente, este é o meu Outono, um tempo de alianças impossíveis, a era rubra de todos os perigos para homens maduros e mulheres solitárias. A idade do adultério e da desmemória sem nenhuma esperança, a era do gelo, a partida final contra mim mesmo. Mantenho-me à mesa, sem esperar pela sorte, já não há chances…
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Tamara Kamenszain – O Eco de Minha Mãe

Não consigo narrar.Que pretérito me serviriase minha mãe já não me tece mais?Desamparada, então, eu me detenhodiante de um estado de coisas muito presente:ser a descuidada que dela cuidaenquanto outros a negligenciam por mim.São pessoas que me são dispensáveise a gramática se torna um escândaloquando ela, que esqueceu as palavras,manifesta-se em um arroubo raivosocom o…
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José Mateos – In Memoriam

Para Pedro Sevilla Sempre, frente à dor, estamos sozinhos, não se quer viver, e tu sabes disso. Há um instante viste, na penumbra de um quarto de hospital, a mão hirta, seu rosto naufragado que o lençol cobriu. E era como mirar-se em um espelho e ver que somos menos que essa ausência, menos que…
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Joan Margarit – Ulisses nas Águas de Ítaca

Estás chegando a ilha e agora sabes o que é o acaso. Viver, o que significa. Teu arco será poeira em uma estante. Poeira será o tear e a peça que ele tece. Os pretendentes, que no pátio acampam, são sombras dos sonhos de Penélope. Estás chegando a ilha enquanto explode o mar contra as…
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Víctor Botas – “Collige, virgo, rosas”

Não falta quem suponha que em sessentabilhões de anos voltaremosa estar como agora (ao que parece,o Espaço se estica para depois,elástico, encolher e novamenteoutra vez dilatar-se), repetindotu, as profundidades desses olhos,eu, este esperar a morte de tuamão agonizante nas minhas, aquimesmo, precisamente nesse lugar. Mas, casoseja tudo uma farsa e nunca maisa história se repita…