Joan Margarit – Aventura Doméstica

Sozinho em casa e vasculhando os armários.
Encontro um antigo mapa rodoviário,
contratos vencidos, esferográficas
que já não escreverão nenhuma carta,
calculadoras com pilhas descarregadas
e relógios que o tempo derrotou.
No fundo das gavetas, como um rato triste,
aninha-se o passado. Vazios, os vestidos
pendem como velhas personagens
que nos interpretaram.
Súbito, encontro também tua lingerie,
cor de areia, da noite, com pequenos bordados.
Calcinhas, sutiãs, meias que desdobro
e que me fazem voltar à brilhante
– e ao mesmo tempo misteriosa –
essência do amor e do sexo:
o que dá realmente vida às casas,
assim como se lhe dá aos portos distantes
a luz de seus cafés e de seus barcos

Trad.: Nelson Santander

Joan Margarit – Aventura Doméstica

Solo en casa y mirando en los armarios.
Encuentro algún antiguo mapa de carreteras,
contratos que han vencido, estilográficas
que ya no escribirán ninguna carta,
calculadoras con las pilas secas
y relojes que el tiempo ha derrotado.
En los cajones suele, como una rata triste,
anidar el pasado. Vacíos, los vestidos
cuelgan igual que viejos personajes
que nos interpretaron.
Pero encuentro también tu lencería,
color arena, o noche, con pequños bordados.
Bragas, sostenes, medias que despliego
y que me hacen volver hasta el brillante
– y a la vez misterioso – fondo de amor y sexo:
lo que da, de verdad, vida a las casas,
igual que se la da a los puertos lejanos
la luz de sus cafés y de sus barcos.

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