Mês: novembro 2019
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Tarso de Melo – Raiz e minério

ainda é possível ouvir (mais fundo, mais fundo,você encontra) o som da lama se arrastando por baixodas portas e aos pés do sofá (o que há é o homem,esse bicho) nos vãos da estante e no meio dos livrosnas gavetas da geladeira (que invade a terra procurandooutro homem) na altura do peito e entre os…
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Manuel Vilas – Delia’s Gone

“Delia’s Gone”, um poema de Manuel Vilas que aborda de forma provocativa e irônica a relação entre amor, abandono e suicídio, evocando figuras como Ian Curtis, Mariano José de Larra e Sylvia Plath para refletir sobre a idealização trágica da morte por amor e o vazio deixado pela perda.
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Wislawa Szymborska – Bagagem de volta

Uma quadra de pequenas tumbas no cemitério. Nós, que vivemos muito, passamos furtivamente, como os ricos passam pelos bairros dos pobres. Aqui jazem a Zosia, o Jacek, o Dominik, prematuramente tirados do sol, da lua, da mudança das estações, das nuvens. Não juntaram muito na bagagem de volta. Fragmentos de vista não muito no plural.…
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Ferreira Gullar – Morrer no Rio de Janeiro

Se for março quando o verão esmerila a grossa luz nas montanhas do Rio teu coração estará funcionando normalmente entre tantas outras coisas que pulsam na manhã ainda que possam de repente enguiçar. Se for março e de manhã as brisas cheirando a maresia quando uma lancha deixa seu rastro de espumas no dorso da…
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Joan Margarit – Anos Sessenta

Lento, muito mais lento, tempo meu: falemos sobre o amor mesmo que as rosas tenham que acabar sempre na lixeira. Deslumbrou-nos um futuro. Que futuro? Sem esperança alguma, críamos em algo, ou, porque era difícil a fé em algo, nunca perdemos a esperança. Restam as bandeiras vermelhas de perigo defronte ao mar bravio. Lembro-me de…
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Luis Alberto de Cuenca – Nos veremos novamente

Nos veremos novamente onde sempre é de dia e os feios são bonitos e eternamente jovens, onde os poderosos não abusam dos mais fracos e, das árvores, pendem brinquedos e gibis. Nesta morada de luz que não fere os olhos Voltaremos, tu e eu, a dizer-nos bobagens de mãos dadas, contemplando as ondas a morrer…
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Jules Laforgue – O silêncio azul

Por todo o transcorrido eterno e no vindouro, A Noite universal povoa-se infinita E cegamente em coágulos onde se agita A vida que rabisca em arabescos de ouro. Eis que um daqueles, tão desassistido e só, Junto a seus deuses, artes, erros e mania, Seu lodaçal, miséria e cantos de ironia, Escreve história, grita ao…
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Jaime Gil de Biedma – Canção de aniversário

Porque são já seis anos desde então, porque não há na terra, ainda, nada tão doce quanto um quarto para dois, se for teu e meu; porque até o tempo, esse parente pobre que conheceu dias melhores, parece hoje partidário da felicidade, cantemos, alegria! E, depois, levantemo-nos mais tarde, como no domingo. Que a manhã…

