Mês: julho 2019
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Eugénio de Andrade – Quando em silêncio passas entre as folhas…

Quando em silêncio passas entre as folhas, uma ave renasce da sua morte e agita as asas de repente; tremem maduras todas as espigas como se o próprio dia as inclinasse, e gravemente, comedidas, param as fontes a beber-te a face. Conheça outros livros de Eugénio de Andrade clicando aqui
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Mario Quintana – Poema da gare de Astapovo

O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos E foi morrer na gare de Astapovo! Com certeza sentou-se a um velho banco, Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo Contra uma parede nua… Sentou-se …e sorriu amargamente Pensando que Em toda a sua vida…
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Joan Margarit – Astapovo

De madrugada, quando só se ouvemrelógios no escuro,eu o imagino, com seus oitenta anos,fugindo em um trem russo que ia para o sul,de lugar nenhum, para onde os velhos sonham ir.Tolstói temia aquele invernoque o acompanhou durante a velhiceaté o leito de morte ferroviário,na noite em que o telégrafotransmitiu a mais breve e cruelde todas…
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Manuel António Pina – Quinquagésimo ano

São muitos dias (e alguns nem tantos como isso…) e começa a fazer-se tarde de um modo menos literário do que soía, (um modo literal e inerte que, no entanto, não posso dizer-te senão literariamente). Mas não há pressa, nem se vê ninguém a correr; a única coisa que corre é o tempo, do lado…
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Emily Dickinson – [Poetas mártires — não clamam —]
![Emily Dickinson – [Poetas mártires — não clamam —]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2019/06/emily-dickinson-hires-cropped.jpg)
27 Poetas mártires — não clamam — A Dor em sílabas transmudam — Falam por eles seus poemas — Quando já estejam mudos. Pintores mártires — Não falam — Com sua Obra eles almejam Que quando já não sejam mais — Alguns busquem na Arte — a Paz — Trad.: Augusto de Campos The Martyr…
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Vasco Gato – Repara nos velhos

Repara nos velhos. Dementes, doridos, restos de casas. Vivem agora a lepra de todos nós. Não lhes chegamos. Tresandam. Esquecem. Apoderam-se do nada. E nós, capitosos, brindamos com o vinho que também eles sorveram, desdenhando a morte que, amarga como a nossa indiferença, haveremos de provar.
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William Butler Yeats – As quatro idades do homem

As quatro idades do homem, um poema de William Butler Yeates: Com seu corpo principiou uma rinha O corpo venceu; ereto ele caminha. Ele lutou então com o coração; Sua inocência e sua paz já se vão.
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A. A. Milne – Narciso

Ela vestiu seu chapéu-de-sol,E pôs o seu mais verde vestido;Virou-se para o vento australE prestou-lhe o cortejo devido.Virou-se então para a luz do solE os cabelos louros agitou,E sussurrou para o seu vizinho:“O inverno acabou” Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em…
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Nelson Ascher – Saudade

Posto que nem é de bom-tom falar sobre a tristeza insossa cujo vaivém, quando se apossa de mim, me embala como o som sem fim das ondas do Leblon, dispondo-me a curtir a fossa a sós, pus na vitrola a bossa nova de João, Vinícius, Tom, menos pra ouvir o que ela tem, porque talvez…
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José Paulo Paes – Borboleta

Mal saíra do casulo para mostrar ao sol o esplendor de suas asas um pé distraído a pisou. (A visão de beleza dura um só instante inesquecível.)