Mês: julho 2019
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Joseph Stroud – Tributo a Rolf Jacobsen

A jaqueta amarela fica batendo contra a vidraça tentando sair. Desde o começo era apenas uma questão de abrir a janela, encontrar as palavras, e você por aí – em um outro, maior mundo. Para os mortos, o paraíso é a calçada na qual você caminha olhando as janelas, cantarolando, parando para um café. Trad.:…
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Maria do Rosário Pedreira – Onde quer que o encontres

Onde quer que o encontres – escrito, rasgado ou desenhado: na areia, no papel, na casca de uma árvore, na pele de um muro, no ar que atravessar de repente a tua voz, na terra apodrecida sobre o meu corpo – é teu, para sempre, o meu nome.
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Ferreira Gullar – Pela rua

Sem qualquer esperança detenho-me diante de uma vitrina de bolsas na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, domingo, enquanto o crepúsculo se desata sobre o bairro. Sem qualquer esperança te espero. Na multidão que vai e vem entra e sai dos bares e cinemas surge teu rosto e some num vislumbre e o coração dispara. Te…
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Wisława Szymborska – Desatenção

Ontem me comportei mal no universo. Vivi o dia inteiro sem indagar nada, sem estranhar nada. Executei as tarefas diárias como se isso fosse tudo o que devia fazer. Inspirar, expirar, um passo, outro passo, obrigações, mas sem um pensamento que fosse além de sair de casa e voltar para casa. O mundo podia ter…
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Czeslaw Milosz – A queda

A morte de um homem é como a queda de uma poderosa nação Que teve valentes exércitos, capitães e profetas, E ricos portos e barcos em todos os mares, Mas agora não socorrerá nenhuma cidade sitiada, Não entrará em nenhuma aliança, Porque suas cidades estão vazias, sua população dispersa, Sua terra que certa vez proveu…
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Daniel Faria – Ítaca

O que dói É não poder apagar a tua ausência e repetir dia após dia os mesmos gestos O que dói é o teu nome que ficou como mendigo Descoberto em cada esquina dos meus versos O que dói é tudo e mais aquilo que desteço Ao tecer para ti novos regressos
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Quando

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta Continuará o jardim, o céu e o mar, E como hoje igualmente hão-de bailar As quatro estações à minha porta. Outros em Abril passarão no pomar Em que eu tantas vezes passei, Haverá longos poentes sobre o mar, Outros amarão as coisas que eu amei. Será…
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Luis Alberto de Cuenca – O desjejum

Gosto quando dizes disparates, quando fazes asneiras, quando mentes, quando vais às compras com tua mãe e chego atrasado ao cinema por tua culpa. Gosto mais quando é meu aniversário e me cobres de beijos e bolos, ou quando estás feliz e dá para notar, ou quando és genial com uma frase que resume tudo,…
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Nuno Júdice – Fábula industrial

As chaminés das fábricas tinham pescoços de cegonha, e quando deitavam fumo era como se as cegonhas abrissem as asas. Quando o fumo era preto, porém, as cegonhas transformavam-se em corvos de grandes pescoços feitos de tijolo; e ao contrário das cegonhas não voavam, mas faziam soar as sirenes com os bicos metálicos, para que…
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Adelaide Ivánova – os anos noventa

você não estava lá nas coisas mais decisivas da minha vida mas é assim mesmo: historiadores e arqueólogos nunca estiveram presentes pra testemunhar os levantes coletivos isso fazem os jornalistas e os videntes você era apenas um menino quando kurt cobain morreu nem poderia ainda saber o dano que causaria sua existência de crisálida taurino…