Tag: Trabalho
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Roo Borson – Livrai-nos

Livrai-nos da noite,das infindáveis e sombriasrodovias, e dos oásisnéon dos postos de gasolina,do ronco dos motoresimortais após a meia-noite,quando o tempo perde o sentido,dos cafés da madrugada,suas tortas macabras,e do babado alaranjado noavental da garçonete,das cadeiras de plástico combinando,do laranja e do marrom e detodos os tons sobrenaturais,banindo-os de volta ao tubo de ensaio,livrai-nos deles,daqueles…
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Jorge Sousa Braga – Litania

Estava sentado numa sala anexa ao bloco operatórioe uma enfermeira passou com o teu útero num saco de plástico transparenteCom o teu útero com a minha primeira casa e a de meus irmãosainda escorrendo sangueUma pequena construção toda em pedracom divisões de tijolo e cal hidráulicae janelas abrindo para o valeCom o teu úteroCom a…
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Ada Limón – A máquina do silêncio

Estou aprendendo tantas maneiras diferentes de ficar quieta. Há o jeito como fico no gramado, esse é um deles. Há também o jeito como fico no campo do outro lado da rua, esse é outro, porque estou mais longe das pessoas e, portanto, é mais provável que eu fique sozinha. Há o jeito como não…
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Marge Piercy – O visível e o in-

Algumas pessoas passam pela sua vidacomo o perfume das peônias: intenso,persistente e sensual. Algumas pessoas passam pela sua vidacomo o doce aroma almiscarado do cosmos,tão delicado que se você aspirar duas vezes, ele se foi. Algumas pessoas invadem sua vidacomo homens da mudança que carregamsofás, pianos e quebram pratos. Algumas pessoas o tocam tão de…
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Amalia Bautista – Nu de Mulher

Para ti nunca passei de um blocode mármore. Esculpiste nele o meu corpo,um corpo de mulher branco e formoso,em que não viste nada a não ser pedrae o orgulho, isso sim, do teu trabalho.Nunca imaginaste que eu te amavae que tremia quando, docemente,me modelavas os seios e os ombros,ou alisavas as coxas e o ventre.Hoje,…
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Philip Larkin – Continuar a viver

Continuar a viver – isto é, repetirUm hábito formado para obter o necessário –Quase sempre significa perder, ou passar sem. É variável. Essa perda de interesse, cabelos e ambição –Ah, se o fosse pôquer, sim,Você poderia descartá-los, fazer um full house! Mas é xadrez. E uma vez que tenha percorrido toda a extensão da mente,O que você…
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Cheryl Pearson – Encantamento de proteção para um amado

Você sai com o carro em uma noite chuvosa,e minha mente corre solta. Bêbados. Pista escorregadia.Um corpo sob um lençol à beira da estrada. Eu te digo:Tenha cuidado. O que quero dizer é: Eu te amo,não vá embora. Eu quero você quente e descontente.O rejunte entre os ladrilhos do banheiro está lascando;a umidade na cozinha…
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Caroline Bird – Checkout

Eu penso ‘então, isso é a morte’, e me pergunto por queainda consigo enxergar através dos meus olhos. Um anjose aproxima com um formulário de avaliação perguntandocomo eu classificaria minha vida (muito boa, boa,mediana, ruim, muito ruim) e eu penso em marcar‘mediana’ seguido de um desabafo, mas então me lembrode seu rosto como um baú…
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Hayden Carruth – Ensaio

Tantos poemas sobre mortes de animais.O sapo de Wilbur, o ouriço de Kinnell, o esquilo de Eberhart,e aquele poema de alguém – Hecht? Merrill? –sobre cremar uma marmota. Mas sobretudoeu me lembro do número ultrajante deles,como se todo poeta, inclusive eu, tivesse escrito ao menosuma elegia animal; como resultado, hoje, quando cheguei a um poema…
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Ellen Bass – Fracasso

Eu parecia uma mulher. Tinha começadoa sangrar, algo que eu desejara com fervor,com o fervor com que ardiapor beijar Earl Freeman, sentir seu suor de homeme percorrer com os dedos a concavidade de seu peitoquando estávamos deitados na areia quente em Atlantic City,o céu claro arqueado sobre nós. Eu tinha tanta pressade crescer, dizia minha…