Tag: Tempus Fugit
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Cassiano Ricardo – Morrer não será dormir

Morrer não será dormir, pois não existe horizonte para poder haver sono. Será ser indiferente. Apenas indiferente. Que tanto faça haver sol como o sol não seja mais do que um simples girassol. Não será, só, o morrer porque se deixou de ser. Será – por indiferença – tanto estar o mundo morto como imundo…
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Carlos Drummond de Andrade – José

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não…
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Affonso Romano de Sant’Anna – Carta aos Mortos

Carta aos Mortos, um poema de Affonso Romano de Sant’Anna, reflete sobre a aparente marcha do progresso e as surpreendentes permanências da experiência humana.
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Lewis Carroll – Jaguadarte

Era briluz. As lesmolisas touvasRoldavam e relviam nos gramilvos.Estavam mimsicais as pintalouvas,E os momirratos davam grilvos. “Foge do Jaguadarte, o que não morre!Garra que agarra, bocarra que urra!Foge da ave Felfel, meu filho, e correDo frumioso Babassurra!” Ele arrancou sua espada vorpalE foi atrás do inimigo do Homundo.Na árvora Tamtam ele afinalParou, um dia, sonilundo.…
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Shirley Jackson – A Assombração na Casa da Colina (excerto)

“NENHUM ORGANISMO vivo pode existir com sanidade por longo tempo em condições de realidade absoluta; até as cotovias e os gafanhotos, pelo que alguns dizem, sonham. A Casa da Colina nada sã, erguia-se solitária em frente de suas colinas, agasalhando a escuridão em suas entranhas; existia há oitenta anos e provavelmente existiria por mais outros…
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Ivan Junqueira – O Aeroplano

Quando eu fiz cinco anos, meu pai deu-me de presente um aeroplano que ele próprio construíra com finas hastes de bambu e papel de seda. Tão leve quanto uma libélula, o frágil engenho voou até desaparecer por detrás do muro do quintal e dos últimos reflexos de um poente de verão. Ninguém jamais o encontrou.…
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Manuel Bandeira – O Último Poema

Assim eu quereria meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
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Silvio Rodriguez – Pequeña Serenata Diurna

(intérprete: Silvio Rodriguez) Vivo en un país libre cual solamente puede ser libre en esta tierra, en este instante yo soy feliz porque soy gigante. Amo a una mujer clara que amo y me ama sin pedir nada o casi nada, que no es lo mismo pero es igual Y si esto fuera poco, tengo…
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Carlos Drummond de Andrade – A um Ausente

Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar. Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora. Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de…
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Torquato Neto – Cogito

eu sou como eu sou pronome pessoal intransferível do homem que iniciei na medida do impossível eu sou como eu sou agora sem grandes segredos dantes sem novos secretos dentes nesta hora eu sou como eu sou presente desferrolhado indecente feito um pedaço de mim eu sou como eu sou vidente e vivo tranqüilamente todas…