Walter de la Mare – Os que ouviam

“Está aí alguém?”, disse o Viajante
  Batendo à porta de luar;
A relva, chão de fetos da floresta,
  Pôs-se o cavalo a devorar.
Sobre a cabeça do Viajante, um pássaro
  Voou da torre para além.
E ele feriu a porta uma outra vez,
  Dizendo: “Está aí alguém?”
Do peitoril da janela, ninguém
  Desceu até o Viajante;
Ninguém lhe fitou os olhos cinzentos:
  E ele imóvel, em seu espanto.
Mas uma hoste de ouvintes fantasmas
  Que a casa deserta habitava,
Deixou-se ouvindo, à calma do luar,
  O que a voz, humana bradava;
Deixou-se conjugando o luar na escada
  Que dá ao vestíbulo vazio;
À escuta, num ar trêmulo e agitado
  Pelo chamado que se ouviu.
No coração ele sentiu que estranha
  Era a calma que respondia;
Enquanto o cavalo ceifava a relva
  E o céu de estrela e folha se incendia.
E então bateu mais uma vez à porta
  E ergueu muito alta a cabeça:
“Digam que vim e não me responderam;
  E que eu cumpri minha promessa.”
Os que escutavam nada se moveram
  Embora as palavras por certo
Na casa caíssem, reverberassem,
  A partir do homem desperto.
O pé no estribo, o ferro contra a pedra,
  Ah, que bem estavam ouvindo!
E ao silêncio nascendo para trás e o
  Chapinhar dos cascos partindo.

Trad.: Jorge Wanderley

PS.: confira também a tradução que fiz do mesmo poema:

https://nsantand.wordpress.com/2017/02/02/walter-de-la-mare-os-que-ouviam/

Walter de la Mare – The Listeners

‘Is there anybody there?’ said the Traveller,
  Knocking on the moonlit door;
And his horse in the silence champed the grasses
  Of the forest’s ferny floor:
And a bird flew up out of the turret,
  Above the Traveller’s head:
And he smote upon the door again a second time;
  ‘Is there anybody there?’ he said.
But no one descended to the Traveller;
  No head from the leaf-fringed sill
Leaned over and looked into his grey eyes,
  Where he stood perplexed and still.
But only a host of phantom listeners
  That dwelt in the lone house then
Stood listening in the quiet of the moonlight
  To that voice from the world of men:
Stood thronging the faint moonbeams on the dark stair,
  That goes down to the empty hall,
Hearkening in an air stirred and shaken
  By the lonely Traveller’s call.
And he felt in his heart their strangeness,
  Their stillness answering his cry,
While his horse moved, cropping the dark turf,
  ’Neath the starred and leafy sky;
For he suddenly smote on the door, even
  Louder, and lifted his head:—
‘Tell them I came, and no one answered,
  That I kept my word,’ he said.
Never the least stir made the listeners,
  Though every word he spake
Fell echoing through the shadowiness of the still house
  From the one man left awake:
Ay, they heard his foot upon the stirrup,
  And the sound of iron on stone,
And how the silence surged softly backward,
  When the plunging hoofs were gone.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s