Jorge Luis Borges – Cosmogonia

Jorge Luis Borges – Cosmogonia

Nem treva nem caos. A treva
Requer olhos que vêem, como o som.
E o silêncio requer o ouvido,
O espelho, a forma que o povoa.
Nem o espaço nem o tempo. Nem sequer
Uma divindade que premedita
O silêncio anterior à primeira
Noite do tempo, que será infinita.
O grande rio de Heráclito o Escuro
Seu irrevogável curso não há empreendido,
Que do passado flui para o futuro,
Que do esquecimento flui para o esquecimento.
Algo que já padece. Algo que implora.
Depois a história universal. Agora.

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2 respostas a “Jorge Luis Borges – Cosmogonia”

  1. Você saberia dizer onde está esse poema de Borges, qual a referência completa? Não consegui achar nas obras completas em espanhol:
    Jorge Luis Borges – Cosmogonia
    Se souber, por manda, manda para meu email: [email protected] ou no meu facebook.
    Obrigado.
    Sergio Gomes

    1. Sergio, este poema é de Fervor de Buenos Aires, de 1923.

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