Tag: Memória
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Ada Limón – A capa de chuva

“A capa de chuva”, um poema de Ada Limon que revisita uma lembrança da infância para refletir sobre os gestos invisíveis de amor e proteção que sustentam uma vida.
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Konstantinos Kaváfis – Troianos

Nossos esforços – nós, desventurados – são,nossos esforços, como os dos troianos.Algum êxito obtido, alguma empresaassumida, e eis que começamosa encher-nos de esperanças, de coragem. Algo surge, porém, que nos irá deter.Emerge Aquiles da trincheira à nossa frentee com seus gritos de assustar põe-nos em fuga. Nossos esforços são os dos troianos.Cremos que, com audácia…
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Gerard Smyth – A caminho

Estamos em um trem que segue em direção ao mar.Os nomes das estações estão no meio do caminhoentre dois idiomas. A paisagem é austera,como se à espera de um ataque.Tudo está em seu devido lugar.Tudo repousa ali sem se mover:o lodo no fundo do lago, a areiaque alcançou a praia.A quietude nos questiona sobre o…
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Fernando Pinto do Amaral – Por causa de uma ave

“Por causa de uma ave”, um poema de Fernando Pinto do Amaral que transforma o esqueleto de um pássaro em revelação brutal da mortalidade, ligando a perda íntima à consciência inquieta da própria finitude.
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Emily Montgomery – Algo Bonito

Algo Bonito para Chris Eu quis reservar algo bonito para você.As últimas três joias de romãs reluzentesequilibradas na palma da minha mão antes que eu as comesse.O canto matinal dos pássaros no limoeiro depois de você ter ido trabalhar,a lembrança da chuva da noite passada ainda impressa no gramado.Ou antes, a enigmática esfericidade da luasobre…
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Caitlyn Siehl – Uma carta ao amor

O primeiro poema que escrevi que não era sobre vocêestava todo em maiúsculascomo se estivesse tentando compensara sua ausência. Era sobre um mundo distante desteonde todas as plantas eram aterrorizantes,mas tinham poderes de cura se tivéssemos a coragemde tocá-las. O primeiro poema que escrevi que não era sobre vocêinflou a garganta como um sapo-boie implorou…
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Charles Simic – Minha contenda com o Infinito

Eu preferia o fugaz,Como a lembrança de um gole de vinhoDe nobre safraNa língua, de olhos fechados… Quando me tocaste no ombro,Ó luz, inexprimível em teu esplendor,Em nada me ajudaste.Apenas prolongaste minha insônia. Estava absorto no espetáculo,Secretamente lamentando o fugidio:Todos os seus beijos e encantosProvisórios, de vida breve. Aqui, com o novo dia surgindo,E um…
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Paulo Henriques Britto – de “Duas autotraduções”

(CADERNO, XIV)II Isto, também, será lembrado um dia,porém não tal qual é sentido agora.Não que as lembranças sejam distorcidasde propósito; é só porque a memória,entre o vivido e o lembrado, interpõecomo que um filtro, com pequenas falhasou até mesmo substituições –nem tanto por mentiras deslavadas,mas por versões plausíveis do ocorrido.São mudanças sutis, que se desculpam,como…
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Kim Moore – Para minha filha

E mais tarde, quando ela perguntar,direi que algumas partes foram belas –como, em seu brilhoe súbita abertura,os rostos dos vizinhospassaram a parecer flores.Contarei como começamosa revisitar fotosde nossos eus mais jovens,abraçados a um estranhoou apoiados nos ombrosde amigos, e vimos que o toquesempre foi uma espécie de santidade,uma forma de adoração que nos foi prometida.Direi…
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Ama Codjoe – Por que deixei o Jardim

Depois que perdi meu seio, tornei-me uma mulhersuturada por um certo saber. Durante o dia eu me movia como se caminhar não fosse diferentede cair. Eu tinha os buracose o céu crivado. Eu não tinha nada. Mesmo de longe,eu conseguia ouvir o disco pulando.O tempo escorriadas mãos. Dos rostos. Na primeira vez em que um…