Tag: Memento Mori
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Cassiano Ricardo – Gramática Visual de Cristo

1 “Cristo, terá sido em vão teu sacri- fício? vê, o sangue escorre, acre, no massacre das ruas.” Cristo espalmou a mão cobrindo os olhos horizontalmente pra não ver a destruição do ser 2 “Cristo, vê os pequeninos que tanto amaste agora garotos nos becos como ratos dentro de sapatos rotos.” Cristo escondeu, de novo,…
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Jaime Gil de Biedma – Não Voltarei a ser Jovem

Que é certo a vida passa só se começa a compreender mais tarde — como todos os jovens, decidi levar a minha vida por diante. Deixar marca eu queria e partir entre aplausos — envelhecer, morrer, eram somente as dimensões do teatro. Porém, passou o tempo e a verdade mais amarga assoma: envelhecer, morrer, é…
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Ivan Junqueira – Esse Punhado de Ossos

Esse punhado de ossos que, na areia, alveja e estala à luz do sol a pino moveu-se outrora, esguio e bailarino, como se move o sangue numa veia. Moveu-se em vão, talvez, porque o destino lhe foi hostil e, astuto, em sua teia bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia o que havia de raro…
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Antonio Cicero – Huis Clos

Da vida não se sai pela porta: só pela janela. Não se sai bem da vida como não se sai bem de paixões jogatinas drogas. E é porque sabemos disso e não por temer viver depois da morte em plagas de Dante Goya ou Bosh (essas, doce príncipe, cá estão) que tão raramente nos matamos…
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Emily Dickinson – Cemitério

Este pó foram damas, cavalheiros, Rapazes e meninas; Foi riso, foi espírito e suspiro, Vestidos, tranças finas. Este lugar foram jardins que abelhas E flores alegraram. Findo o verão, findava o seu destino… E como estes, passaram. Trad.: Manuel Bandeira
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Jorge Luis Borges – Limites

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar, Há uma rua próxima que está vedada a meus passos, Há um espelho que me viu pela última vez, Há uma porta que fechei até o fim do mundo. Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os) Há algum que já nunca abrirei. Este verão…
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Friedrich Hölderlin – A Brevidade

“Por que és tão breve? Não amas mais, como outrora, O canto? Quando jovem, não chegavas, Nos dias de esperança, Nunca ao fim, quando cantavas!” Tal qual minha sorte é meu canto. – Queres ao arrebol Banhar-te alegremente? Foi-se! E a terra está fria E o pássaro da noite esvoaça incomodamente aos olhos teus. …
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Rainer Maria Rilke – A Morte do Poeta

Jazia. A sua face, antes intensa, pálida negação no leito frio, desde que o mundo, e tudo o que é presença, dos seus sentidos já vazio, se recolheu à Era da Indiferença. Ninguém jamais podia ter suposto que ele e tudo estivessem conjugados e que tudo, essas sombras, esses prados, essa água mesma eram o…