Tag: Carpe Diem
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António Franco Alexandre – Quero dizer-te: não morras

quero dizer-te: não morras. Nem me digas quem és, quem foste, como sabes a língua que se fala sobre a terra. Ao lume lanço toda a vontade de viver, ser vivo, a cautela do ar, ardendo em torno. Passarei, terás passado em mim, só quero dizer-te: não morras nunca, agora, nunca mais.
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Carlos Marzal – Estranha Forma de Vida

A Vicente Gallego Sob a bigorna de fogo que o sol de agosto acende no muro caiado, derretem-se as pétalas de uma sedenta buganvília grená. Que estranha esta beleza moribunda, esta desaforada desnudez grandiosa, esta sílaba breve do milagre. Trad.: Inês Dias Carlos Marzal – Extraña Forma de Vida Bajo el yunque de…
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Billy Collins – Pardal de Natal

A primeira coisa que ouvi esta manhãfoi um rápido bater de asas, suave, insistente — asas contra o vidro, como descobrilá embaixo, quando vi o pequeno pássaroamotinando-se na moldura de umajanela alta, tentando lançar-se através do enigma do vidro para a vastidão da luz. Então, um som da garganta do gatoque estava acocorado sobre o…
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Inês Lourenço – As Coisa que Cessam

Tanto desprezo pelo que é transitório e finito. Não servirei senhor que possa morrer. Mas passamos a vida a amar todas as fragilidades das coisas que cessam. Há coisa mais breve do que um sorriso? Coisa mais curta que a alegria de um reencontro? Tudo o que amamos é passageiro e frágil ou as duas…
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Mario Quintana – Envelhecer

Antes, todos os caminhos iam. Agora todos os caminhos vêm. A casa é acolhedora, os livros poucos. E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.
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Amalia Bautista – Agora

Agora que a estrada que devo percorreré um viaduto por sobre uma rodoviado qual dá medo de olhar, porque o abismoimplacável me chama.Agora que morreu a esperançacomo um pássaro jogado de seu ninhopor irmãos mais fortes.Agora que é noite todo dia,inverno todo anoe as semanas só têm segundas-feiras,para onde olhar, para onde voltar os olhos,que…
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Amalia Bautista – Os meus melhores desejos

Que a vida te pareça suportável.Que a culpa não afogue a esperança.Que não te rendas nunca.Que o caminho que sigas seja sempre escolhidoentre dois pelo menos.Que te interesse a vida tanto como tu a ela.Que não te apanhe o víciode prolongar as despedidas.E que o peso da terra seja levesobre os teus pobres ossos.Que a…
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Amalia Bautista – O que fazes aqui

Pensei que havia-te dito adeus,um adeus definitivo, ao deitar-mequando pude finalmente fechar meus olhose esquecer-me de ti e de tuas artimanhasde tua insistência, de tua baba ruim,da tua capacidade de anular-me.Pensei que havia-te dito adeuspara todo o sempre, e eu acordoe te encontro novamente junto a mim,dentro de mim, me envolvendo, ao meu lado,invadindo-me, sufocando-me,…
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Vicente de Carvalho – Velho Tema I

Só a leve esperança, em toda a vida, Disfarça a pena de viver, mais nada; Nem é mais a existência, resumida, Que uma grande esperança malograda. O eterno sonho da alma desterrada Sonho que a traz ansiosa e embevecida, É uma hora feliz, sempre adiada E que não chega nunca em toda a vida. Essa…
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Ruy Espinheira Filho – Canção de Depois de Tanto

a Roniwalter Jatobá Vamos beber qualquer coisa, que a vida está um deserto e o coração só me pulsa sombras de Ido e do Incerto. Vamos beber qualquer coisa, que a lua avança no mar e há salobros fantasmas que não quero visitar. Vamos beber…