Tag: Carpe Diem
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Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

ii Não volta mais, aquele voo cego rumo ao que nunca esteve lá, porém só surge em pleno ar. E não renego a rota tonta que segui. Ninguém se faz em linhas retas. Todo porto a que se chega é a meta desejada. E o caminho tomado, por mais torto, acaba sempre sendo a exata…
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Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

VII Nada disso foi do jeito que eu quis. Se fosse como eu quis, não haveria de ser tão sofrido, tão infeliz. Mas eu – o eu que sou – eu não seria. Assim, não me lamento. Até me sinto como quem tem não o que foi pedido, e sim o que, guiado pelo instinto,…
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Affonso Romano de Sant’Anna – Vai, Ano Velho

Leia Vai, Ano Velho, de Affonso Romano de Sant’Anna, um poema sobre renovação, esperança e a persistente necessidade humana de sonhar.
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Carlos Drummond de Andrade – José

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não…
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João Cabral de Melo Neto – A Viagem

Quem é alguém que caminha toda manhã com tristeza dentro de minhas roupas, perdido além do sonho e da rua? Das roupas que vão crescendo como se levassem nos bolsos doces geografias, pensamentos de além do sonho e da rua? Alguém a cada momento vem morrer no longe horizonte de meu quarto, onde esse alguém…
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Cassiano Ricardo – Jogo de Xadrez

1 Não posso, sem remorso, ver uma criatura dormindo. Tão sincera, dá-se tanto (tão f o t o g ê n i c a- m e n t e) que me arrependo de não lhe haver sido mais puro quando falávamos, há pouco. A morte, se igual ao sono, absolvido, já, da luta, deverá ser…
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Cassiano Ricardo – Ode Pastoril

A paisagem é minha só porque tenho olhos. O pássaro é meu só porque tenho ouvidos. Amo com a mão as coisas que o estar aqui me deu. No universal verde, sou meu ser, não sou eu. Em meu léxico lírico só existem duas palavras, e uma é irmã da outra: a manhã e o…
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Jorge Luis Borges — Pátio

Com a tarde Cansaram-se as duas ou três cores do pátio. A grande franqueza da lua cheia Já não entusiasma o seu habitual firmamento. Hoje que o céu está frisado, Dirá a crendice que morreu um anjinho. Pátio, céu canalizado. O pátio é a janela por onde Deus olha as almas. O pátio é o…
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Ivan Junqueira – O Aeroplano

Quando eu fiz cinco anos, meu pai deu-me de presente um aeroplano que ele próprio construíra com finas hastes de bambu e papel de seda. Tão leve quanto uma libélula, o frágil engenho voou até desaparecer por detrás do muro do quintal e dos últimos reflexos de um poente de verão. Ninguém jamais o encontrou.…