Tag: Amor
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Jorge Valdés Días-Vélez – Pro nobis

Pro nobis para José Emilio Pacheco Uma vez mais, abriu o Averno suas mandíbulas escaldantes. Assomam os pesadelos e o terror da morte se o sono o invade e se transforma em chama negra, se, ao dormir, o levam até ele, ao lagar luxurioso dos demônios. O menino, mudo, contempla sua silhueta e chora. Na…
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Linda Pastan – Dor

Mais fieldo que um amante ou maridoela se apega a ti,chamando a si mesma pelo teu nomecomo se uma cerimônia tivesse acontecido. À noite, viras e revirasprocurando pela únicaposição suportável,mas mesmo que finalmente consigas dormir,ela acorda antes de ti. Como é pesada,desalojando com seu volumeteu próprio fôlego.Antes tu parecias não pesar nada,teus braços poderiam ter…
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Joan Margarit – Coisas em comum

Ter-nos conhecidoem um outono num trem que ia vazio;A radiante, embora cruel,promessa do desejo.A cicatriz da melancoliae o velho afeto com o qual compreendemosos motivos do lobo.A lua que acompanha o trem noturnoBarcelona-Paris.Uma faca de luz para os crimesque por amor devemos cometer.Nossa maldita e inocente sorte.A voz do mar, que sempre te diráonde estou,…
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Lêdo Ivo – A Queimada

Queime tudo o que puder:as cartas de amoras contas telefônicaso rol de roupas sujasas escrituras e certidõesas inconfidências dos confrades ressentidosa confissão interrompidao poema erótico que ratifica a impotênciae anuncia a arterioscleroseos recortes antigos e as fotografias amareladas.Não deixe aos herdeiros esfaimadosnenhuma herança de papel. Seja como os lobos: more num covile só mostre à…
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Victoria Kennefick – Depoimento

Eu te amo como as ondas amam os penhascos.Elas lançam saias de rendas contra os rochedos,pernadas de dançarinas do can-can escalam até o topo,e voltam para o mesmo lugar; espuma se agarra – um beijo.Algumas vezes, elas levam coisas usadas para a praia;em outras, deslizam em silêncio, sem nada dizer,cavam, escondem-se no eco-escuro –esperam até…
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David Whyte – O verdadeiro amor

“O verdadeiro amor”, um poema de David Whyte que apresenta o amor como travessia íntima e corajosa, onde dizer “sim” à mão estendida é escolher viver depois de anos à deriva.
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Carlos Drummond de Andrade – Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,não cantaremos o ódio porque esse não existe,existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,cantaremos o medo dos ditadores,…
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Carlos Drummond de Andrade – O Medo

Em verdade temos medo.Nascemos escuro.As existências são poucas:Carteiro, ditador, soldado.Nosso destino, incompleto. E fomos educados para o medo.Cheiramos flores de medo.Vestimos panos de medo.De medo, vermelhos riosvadeamos. Somos apenas uns homense a natureza traiu-nos.Há as árvores, as fábricas,Doenças galopantes, fomes. Refugiamo-nos no amor,este célebre sentimento,e o amor faltou: chovia,ventava, fazia frio em São Paulo. Fazia…
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Linda Pastan – Estou aprendendo a abandonar este mundo

Estou aprendendo a abandonar este mundoantes que ele possa me abandonar.Já renunciei à luae à neve, fechando minhas persianascontra as reivindicações do branco.E o mundo levoumeu pai, meus amigos.Abandonei as linhas melódicas das colinas,mudando para uma paisagem plana, dissonante.E toda noite abandono meu corpo,membro por membro, seguindoatravés dos ossos, em direção ao coração.Mas a manhã…
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Billy Collins – O desfile

Que emocionante foi marcharao longo das grandes avenidasdebaixo do clarão das trombetase sob todas as bandeiras tremulantes —a bandeira da ambição, a bandeira do amor. Tantos de nós fluindo ao longo do caminho —toda a humanidade, na verdade —movendo-se em perfeita sintonia,mas cada qual perdido no quarto de um sonho particular. Como é estimulante a…