Steve Scafidi – Para o último búfalo americano

Porque as palavras fascinam sob a luz vertiginosa das coisas
e a alma é como um animal – caçada e lenta –
este búfalo passeia por mim todas as noites como se eu fosse
algum tipo de pradaria e se agacha contra a escuridão fria,
bufando sob as estrelas enquanto a névoa de sua respiração
eleva-se no ar, e é a sensação mais solitária que eu conheço
aproximar-se lentamente com a mão estendida
para ternamente tocar o pesado crânio peludo e áspero
e afagar aquele enorme lugar entre suas orelhas em que
o que eu penso e o que ele pensa é uma coisa que canta
tão calmamente que, quando eu acordo, raramente me lembro
de caminhar ao lado dele e de sussurrar ao seu ouvido, tranquilamente
percorrendo as milhas, nós dois, como se Cheyenne ou
as luzes de São Francisco fossem nosso improvável destino
e às vezes os trens passam por nós e ninguém se inclina para fora
no escuro com o objetivo de acabar conosco e assim continuamos
de alguma forma e hoje enquanto a quietude sísmica da
terra girava sob os meus pés e enquanto o mundo,
acho eu, continuava, aquela coisa desajeitada se moveu pesadamente
densa e escura através dos sonhos que acredito que continuamos
sonhando, dormindo ou não, e quando a vir
novamente diga que eu sinto muito pelas coisas que você não fez e
depois lhe ofereça um pouco de erva doce e conte-lhe as histórias
que você se lembra sobre a câmara estelar do útero
ou pelo menos a mais nova piada, algo bom para fazer-lhe
companhia, pois, senão, ela não saberá que você está aqui
por amor, e como o mundo esta noite, não se importará
se vivemos ou morremos. Diga-lhe que você sim, e por quê.

Trad.: Nelson Santander

For the Last American Buffalo

Because words dazzle in the dizzy light of things
and the soul is like an animal–hunted and slow–
this buffalo walks through me every night as if I was
some kind of prairie and hunkers against the cold dark,
snorting under the stars while the fog of its breathing
rises in the air, and it is the loneliest feeling I know
to approach it slowly with my hand outstretched
to tenderly touch the heavy skull furred and rough
and stroke that place huge between its ears where
what I think and what it thinks are one singing thing
so quiet that, when I wake, I seldom remember
walking beside it and whispering in its ear quietly
passing the miles, the two of us, as if Cheyenne or
the lights of San Francisco were our unlikely destination
and sometimes trains pass us and no one leans out hard
in the dark aiming to end us and so we continue on
somehow and today while the seismic quietness of
the earth spun beneath my feet and while the world
I guess carried on, that lumbering thing moved heavy
thick and dark through the dreams I believe we keep
having whether we sleep or not and when you see it
again say I’m sorry for things you didn’t do and
then offer it some sweet-grass and tell it stories
you remember from the star-chamber of the womb
or at least the latest joke, something good to keep it
company as otherwise it doesn’t know you are here
for love, and like the world tonight, doesn’t really
care whether we live or die. Tell it you do and why.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s