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Jorge Valdés Días-Vélez – Pro nobis

Pro nobis para José Emilio Pacheco Uma vez mais, abriu o Averno suas mandíbulas escaldantes. Assomam os pesadelos e o terror da morte se o sono o invade e se transforma em chama negra, se, ao dormir, o levam até ele, ao lagar luxurioso dos demônios. O menino, mudo, contempla sua silhueta e chora. Na…
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Carlos Drummond de Andrade – José

E agora, José?A festa acabou,a luz apagou,o povo sumiu,a noite esfriou,e agora, José?e agora, você?você que é sem nome,que zomba dos outros,você que faz versos,que ama, protesta?e agora, José? Está sem mulher,está sem discurso,está sem carinho,já não pode beber,já não pode fumar,cuspir já não pode,a noite esfriou,o dia não veio,o bonde não veio,o riso não…
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Mário Chamie – Fantasma

Um fantasma ausentepõe tijolo sobretijolo ao seu redor. Primeiro mede o terrenoDivide o espaço.Calca com o péa plantaque não floresce.Mas que crescesob estacasde cimento. Depois, a ausênciase preenche.O fantasma movea cal, a pedra, a pá.O fantasma moveo corpo já presentedo lugar em que está. Presente e ausente,um fantasma se acasalaMove seu corpode carne e osso.Come…
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Cecília Meireles – Epigrama nº 7

A tua raça de aventuraquis ter a terra, o céu, o mar. Na minha, há uma delícia obscuraem não querer, em não ganhar… A tua raça quer partir,guerrear, sofrer, vencer, voltar. A minha, não quer ir nem vir.A minha raça quer passar. REPUBLICAÇÃO: poema publicado originalmente no blog em 18/10/2016 Conheça outros livros de Cecília…
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Dilruba Ahmed – Fase um

Por ter deixado a geladeira abertaontem à noite, eu a perdoo.Por conjurar cortinas brancasem vez de viver a sua vida. Pelas mudas que murcham, agora,em pequenos potes, eu a perdoo.Por dizer não num primeiro momento,mas sim como uma reflexão tardia. Eu a perdoo pelas visões horrendasapós o parto, provocadas pela perdade sono. E quando o…
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Carlos Drummond de Andrade – A Um Bruxo Com Amor

“A Um Bruxo Com Amor”, um poema de Carlos Drummond de Andrade que convoca a sombra de Machado de Assis para celebrar, entre ironia e assombro, a permanência inquieta da literatura sobre o tempo e a morte.
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Ted Kooser – Luz das estrelas

A noite toda, essa chuva suave do passado distante.Não admira que às vezes eu desperte como uma criança. Trad.: Nelson Santander Starlight All night, this soft rain from the distant past.No wonder I sometimes waken as a child.
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Mário de Andrade – Poema da Amiga (VIII)

Gosto de estar a teu lado,Sem brilho.Tua presença é uma carne de peixe,De resistência mansa e de um brancoEcoando azuis profundos. Eu tenho liberdade em ti.Anoiteço feito um bairro,Sem brilho algum. Estamos no interior duma asaQue fechou. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 14/10/2016 Conheça outros livros de Mário de Andrade clicando aqui
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Sharon Olds – A corrida

Quando cheguei no aeroporto, corri até o guichê,comprei uma passagem, dez minutos depois me disseram que o voo tinha sido cancelado, os médicostinham dito que meu pai não sobreviveria àquela noitee o voo fora cancelado. Um jovemde bigode castanho-escuro me disseque de outra companhia aérea partiria um voosem escalas em sete minutos. Pegueaquele elevador, desça…
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Affonso Romano de Sant’Anna – Carta aos Mortos

Carta aos Mortos, um poema de Affonso Romano de Sant’Anna, reflete sobre a aparente marcha do progresso e as surpreendentes permanências da experiência humana.