Categoria: Poesia em Língua Inglesa
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Philip Schultz – Fracasso

Para pagar o funeral do meu pai,pedi dinheiro emprestado a pessoasa quem ele já devia dinheiro.Um deles o chamou de zé-ninguém.Não, eu disse, ele era um fracassado.Ninguém se lembra o nomede um zé-ninguém, é por isso queeles são chamados de zés-ninguém.Os fracassados são memoráveis.O rabino que leu um discurso convencionalsobre um homem que não pertenciaou…
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Lucille Clifton – Dois poemas

adão pensando elasubtraída do meu ossoserá de admirarque eu anseie cavar um túnel de voltapara dentro desesperadopor reunir a costela e o barroe ser inteiro outra vez há em mim uma necessidadelutando para rugir pela minhaboca até se fazer nomeesta criação é tão ferozque eu preferiria ter nascido eva pensando aqui é um território selvagemirmãos…
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Thomas Hardy – Autoinconsciência

A pé, ao longo daquela viaEle caminhou naquele dia,Cismando as formas que os sonhos retratavam,E ele só parecia terRaramente olhos para verAqueles momentos que o rodeavam. Cintilantes pássaros douradosFaziam um tropel animado,Bicando longas palhas, efervescentes.E, levando ramos de azevinho,Voavam cruzando o caminhoQue ele percorria, só, indiferente. Da margem até o interiorE por cima e em…
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Sharon Olds – Minha mão

Quando olho para a minha mão, e para o dorso do meu pulso,brilhando com o petrolato que esfreguei em suas fissuras — óleo mineral,ceresina, lanolina, pantenol, glicerina,bisabolol, vejo as rugasfinas, muitas formando losangos,algumas delas longas ondulações de cicatrizes —ela me parece comovente, e afortunada. E eu gostodas veias salientes do dorso da minha mão.Faço parte…
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Linda Pastan – Graça

Quando o jovem professor juntouas mãos no jantar e falou com Deussobre a minha chegada em segurançaem meio à neve, agradecendo-Lhe tambémpelo alimento que iríamos comer,foi no tom de voz que eu costumousar para falar com meus amigos quando ligoe sou atendida pela secretária eletrônica,com a qual converso sobre isso e aquilousando um tom casual,imaginando…
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Tess Gallagher – Escolhas

Dirijo-me para o lado da casa de onde se vêa montanha, a fim de aparar as árvores novase desobstruir a vista para a neve sobre as serras. Mas quando olho para cima,serrote na mão, vejo um ninho agarradoaos galhos mais altos.Não corto esta.E também não corto as demais.De repente, em cada árvore,um ninho invisívelonde uma…
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Li-Young Lee – Comendo sozinho

Colhi as últimas cebolas frescas do ano.O jardim está limpo agora. O solo está frio,gasto e pardacento. O que resta do diaarde nos bordos, nas bordas dos meusolhos. Eu me viro, um cardeal desaparece.Junto à porta da adega, lavo as cebolas,depois bebo da gelada torneira de metal. Certa vez, anos atrás, caminhei ao lado do…
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Christopher Bursk – “Ashes, Ashes, We All Fall Down”

“Ashes, Ashes, We All Fall Down“1 Se vou me transformar em cinzas em uma década ou algo assim,por que ficar acordado até depois da meia-noite encarando a TVcomo se ela pudesse mudar de opiniãoe eleger, por uma vez, um candidato independente para o cargoou acabar com a guerra e, ao mesmo tempo, remover a acne…
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Mary Oliver – Chumbo

Eis uma históriade partir o seu coração.Quer ouvi-la?Neste inverno, os mergulhões pousaram em nossa enseadae morreram, um por um,de nada que conseguíssemos ver.Um amigo me contousobre um na costaque ergueu a cabeça, abriuseu elegante bico e gritouno longo e doce deleite de sua vida,grito que, se você já ouviu,sabe que é uma coisa sagrada,e pelo…
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Jorie Graham – Então a chuva

depois de anos de virga1, depoisde muito quase& muito nunca mais, depoisde unir-se aos relâmpagos secos & correntes descendentes & fogo,depois de pegar um caminhoalternativo pelahistória & evitar- nos, depois das árvores,depois dos jardins,depois que as duras sementesforam enterradas o mais fundo possível & mantidas vivas pelo sereno,depois que os sulcosque outrora ela abriuse encheram…