Categoria: Poesia em Língua Inglesa
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Mary Oliver – Chumbo

Eis uma históriade partir o seu coração.Quer ouvi-la?Neste inverno, os mergulhões pousaram em nossa enseadae morreram, um por um,de nada que conseguíssemos ver.Um amigo me contousobre um na costaque ergueu a cabeça, abriuseu elegante bico e gritouno longo e doce deleite de sua vida,grito que, se você já ouviu,sabe que é uma coisa sagrada,e pelo…
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Jorie Graham – Então a chuva

depois de anos de virga1, depoisde muito quase& muito nunca mais, depoisde unir-se aos relâmpagos secos & correntes descendentes & fogo,depois de pegar um caminhoalternativo pelahistória & evitar- nos, depois das árvores,depois dos jardins,depois que as duras sementesforam enterradas o mais fundo possível & mantidas vivas pelo sereno,depois que os sulcosque outrora ela abriuse encheram…
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Galway Kinnell – Shelley

Quando eu tinha vinte anos, o único espíritoverdadeiramente livre de quem tinha ouvido falar era Shelley1,Shelley, que escreveu tratados defendendoo ateísmo, o amor livre, a emancipaçãofeminina, a abolição da riqueza e das classes sociais,e poemas sobre a felicidade do amor romântico,Shelley, que, soube mais tarde, talvezquase tarde demais, se casou novamente com Harriet,então grávida de…
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Jane Mead – Bach, inverno

Bach devia saber – comoalgo esvoaça quando você se virapara encarar o rosto visto de relanceem um espelho, em um hall, ao entardecer – e como o aroma das maçãs em uma tigelapode parar o coração por um instante,entre a pia e o fogãono auge do inverno quando estrelas de gelo se espalham pelas vidraçase…
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Caroline Bird – Checkout

Eu penso ‘então, isso é a morte’, e me pergunto por queainda consigo enxergar através dos meus olhos. Um anjose aproxima com um formulário de avaliação perguntandocomo eu classificaria minha vida (muito boa, boa,mediana, ruim, muito ruim) e eu penso em marcar‘mediana’ seguido de um desabafo, mas então me lembrode seu rosto como um baú…
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Harryette Mullen – Não somos responsáveis

Não somos responsáveis por seus parentes perdidos ou sequestrados.Não podemos garantir a sua segurança se desobedecer às nossas instruções.Não apoiamos as causas de pessoas pedindo esmolas.Reservamo-nos o direito de recusar serviços a qualquer um. Sua passagem não garante que honraremos suas reservas.Para facilitar nossos procedimentos, por favor limite sua bagagem de mão.Antes de decolar, por…
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Jane Hirshfield – O Homem Gentil

Vendi o relógio do meu avô,seu ouro rosado e padrões pontilhados,para ser derretido.Mecanismo irrecuperável.Tampa ausente.Corrente — deve ter havido uma —ausente.Seus números pintadoscom um único e habilidoso pincel.Dei corda à coroaantes de entregá-lo sobre o balcão.O homem gentil recebeuo que lhe trouxe como se fosse à Stasi*.Ele pesou o mel do tempo. * N. do…
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Linda Pastan – O almanaque das coisas derradeiras

Do almanaque das coisas derradeiraseu escolho o lírio-da-aranha-vermelhapela graça de sua efêmerafloração, embora eu mesmatema a brevidade, mas escolho O Cântico dos Cânticospor ter a polpadaquelas romãssobrevivido atoda geada do dogma. Escolho janeiro, com suas friaslições de paciência e desespero – eagosto, muito ensolarado para lições.Escolho um gole de vinho tintopara fazer meu coração disparar,…
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Michelle Hulan – O universo, como em uma última canção para os corações solitários

Este poema foi inspirado em “People talk and talk more”1, de Eugenio Montale, e no ciclo de vida do nosso Universo. Há uma teoria segundo a qual a fase final do Universo é a denominada Era dos Buracos Negros, na qual esses fenômenos astronômicos deslizam lentamente pelo vácuo frio até não sobrar nada. Essa imagem…
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Hala Alyan – Spoiler

Você pode diagnosticar o medo? A árvore vermelha que cresce do úteroaté a garganta? É um nervo longo, diz o médico. Há uma razão pela quala respiração ajuda: os músculos relaxam como um casamento defunto.Meus medos são básicos. Intoxicação alimentar em Paris. Saguões de hospitais.Meu marido rindo em outro quarto (a porta fechada).Durante dias, amparei meu…