Categoria: Poema
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Paulo Henriques Britto – Da irresolução

Por não se estar preparadoperde-se a vida inteira.A preparação, porém,pra ser completa e certeira, exigiria no mínimouma existência e meia.Compreende-se, portanto,aquele que titubeia ao se ver face a facecom tamanho compromissoe termina decidindoviver mesmo de improviso. REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 24/03/2019 Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua…
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James Wright – Deitado em uma rede na fazenda de William Duffy, em Pine Island, Minnesota

Sobre a minha cabeça, vejo a borboleta-acobreada,Adormecida no tronco preto,Balançando como uma folha na sombra verde.Descendo a ravina atrás da casa vazia,Os sinos das vacas seguem uns ao outrosNas distâncias da tarde.À minha direita,Em um campo de luz solar entre dois pinheiros,Os dejetos dos cavalos do ano passadoTransformaram-se em rochas douradas.Eu me inclino para trás,…
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Joan Margarit – Helena

O ontem é teu inferno. É cada instanteem que, sem sabê-lo, te perdestee também cada instante em que foste salvo.Quando o jovem que foste está muito distante,o amor é vingança do passado.Vens de uma guerra em que foste vencido,de armas e acampamentos abandonadosna Troia que levas dentro de ti.Buscar-te-ão de noite os aqueose estreitarão o…
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Emily Jungmin Yoon – Questões Conexas

Olho para o oceano como se fosse um adeus.Em algum lugar, ele toca uma terra à mercê do fogo.Minha mãe enlutada traz a floresta para dentro de casa, um exagero verde.Quando ela replanta as árvores, não é diferente de trocar fraldas.Mas ela não se preocupa mais com os troncos mirrados das moribundas.Hoje em dia, tudo…
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Joy Harjo – Canção de outono

É um dia escuro de outono.A terra está ligeiramente molhada pela chuva.Ouço um gaio.O canto é triste.Encontrei você na história novamente.Existe outra palavra para ‘‘divino’’?Preciso de uma canção que mantenha o céu aberto em minha mente.Se eu pensar para trás, posso quebrar.Se eu pensar para frente, perco o agora.Para sempre será um dia assim,Perfeitamente enlaçado…
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W. S. Merwin – Um retrato

Já é quase o dia do seu aniversário e enquanto me visto sozinho em casaum botão se solta e assim que encontrouma agulha com um buraco suficientemente grandepara eu passar a linhae finalmente costurar o botãoabro uma velha foto sua que sempre fazia essas coisas por mágicauma fotografia encontrada após a sua mortede você aos…
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Nuno Júdice – Como Aves, Cuja Passagem

Como sombras passaram entre nós, como sombras. Uma vez perante alguns amigos e desconhecidos, afirmei conhecê-los e citei os seus nomes. Mas o que não correspondia a um acto heroico, nada significava hoje, mesmo entre amigos e desconhecidos. Só se eu próprio me tornar uma sombra, e também eu passar a uma outra vida. Durante…
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Manuel António Pina – Café Orfeu

Nunca tinha caídode tamanha altura em mimantes de ter subidoàs alturas do teu sorriso. Regressava do teu sorrisocomo de uma súbita ausênciaou como se tivesse lá ficadoe outro é que tivesse regressado. Fora do teu sorrisoa minha vida pareciaa vida de outra pessoaque fora de mim a vivia. E a que eu regressava lentamentecomo se…
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Ada Limón – A máquina do silêncio

Estou aprendendo tantas maneiras diferentes de ficar quieta. Há o jeito como fico no gramado, esse é um deles. Há também o jeito como fico no campo do outro lado da rua, esse é outro, porque estou mais longe das pessoas e, portanto, é mais provável que eu fique sozinha. Há o jeito como não…
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Fernando Pinto do Amaral – Por causa de uma ave

“Por causa de uma ave”, um poema de Fernando Pinto do Amaral que transforma o esqueleto de um pássaro em revelação brutal da mortalidade, ligando a perda íntima à consciência inquieta da própria finitude.