Categoria: Poema
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John Donne – Elegia: indo para o leito

Vem, Dama, vem, que eu desafio a paz; Até que eu lute, em luta o corpo jaz. Como o inimigo diante do inimigo, Canso-me de esperar se nunca brigo. Solta esse cinto sideral que vela, Céu cintilante, uma área ainda mais bela. Desata esse corpete constelado, Feito para deter o olhar ousado. Entrega-te ao torpor…
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Bruno Tolentino – Via Crucis

A Via Crucis foi uma selvageria, a Crucifixão uma brutalidade; mas em três, quatro horas, acabou a agonia, baixou a eternidade. Eu vivo aqui, crucificada noite e dia, carrego da manhã à tarde o meu lenho de opróbrio e a noite me excrucia, lenta, fria, covarde. Ah, como eu preferia que me crucificassem de uma…
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Catulo – Vivamus, mea Lésbia, ataque amemus

Vivamos minha Lésbia, e amemos, e as graves vozes velhas – todas – valham para nós menos que um vintém. Os sóis podem morrer e renascer: quando se apaga nosso fogo breve dormimos uma noite infinita. Dá-me pois mil beijos, e mais cem, e mil, e cem, e mil, e mil e cem. Quando somarmos…
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Percy Bysshe Shelley – Ozymandias

Disse o viajante de uma antiga terra: “Duas pernas de pedra, no deserto, Despontam gigantescas, e bem perto Há um rosto destroçado que descerra Os lábios num sorriso de comando Que atesta: o escultor leu com mestria Paixões que na matéria inerte e fria A mão que as entalhou vão perdurando. ‘Meu nome é Ozymândias,…
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Giuseppe Ungaretti – Natal

Não me apetece mergulhar em um novelo de estradas Carrego tanto cansaço sobre os ombros Deixe-me assim como uma coisa pousada em um canto e abandonada Aqui não se sente senão o bom calor Estou com as quatro cabriolas de fumo da lareira
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Jorge Luis Borges – Nuvem (1)

Não haverá uma só coisa que não seja uma nuvem. São nuvens as catedrais de vasta pedra e bíblicos cristais que o tempo aplanará. São nuvens a Odisséia que muda como o mar. Algo há distinto cada vez que a abrimos. O reflexo de tua cara já é outro no espelho e o dia é…
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Olavo Bilac – Nel Mezzo Del Camin…

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigadaE triste, e triste e fatigado eu vinha.Tinhas a alma de sonhos povoada,E a alma de sonhos povoada eu tinha… E paramos de súbito na estradaDa vida: longos anos, presa à minhaA tua mão, a vista deslumbradaTive da luz que teu olhar continha. Hoje, segues de novo… Na partidaNem o pranto teus…
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Machado de Assis – A Carolina

Querida, ao pé do leito derradeiroEm que descansas dessa longa vida,Aqui venho e virei, pobre querida,Trazer-te o coração do companheiro. Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiroQue, a despeito de toda humana lida,Fez a nossa existência apetecidaE num recanto pôs um mundo inteiro. Trago-te flores, – restos arrancadosDa terra que nos viu passar unidosE ora mortos nos deixa…
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Vladimir Maiakovski – O Amor

“O Amor”, um poema de Vladimir Maiakovski que explode a linguagem para fazer do sentimento uma força desmedida, urgente e quase insuportável.
