Categoria: Poema
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Jaime Gil de Biedma – Não Voltarei a ser Jovem

Que é certo a vida passa só se começa a compreender mais tarde — como todos os jovens, decidi levar a minha vida por diante. Deixar marca eu queria e partir entre aplausos — envelhecer, morrer, eram somente as dimensões do teatro. Porém, passou o tempo e a verdade mais amarga assoma: envelhecer, morrer, é…
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William Butler Yeats – Quando Velha e Grisalha…

Quando velha e grisalha e exausta, ao fim do dia, tu cabeceares junto ao fogo, vem folhear lentamente este livro, e lembra o doce olhar e as sombras densas que nos olhos teus havia. Quantos, com falsidade ou devoção sincera, amaram-te a beleza e graça de menina! Um só, porém, amou tua alma peregrina, e…
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Ivan Junqueira – Morrer

Pois morrer é apenas isto: cerrar os olhos vazios e esquecer o que foi visto; é não supor-se infinito, mas antes fáustico e ambíguo, jogral entre a história e o mito; é despedir-se em surdina, sem epitáfio melífluo ou testamento sovina; é talvez como despir o que em vida não vestia e agora é inútil…
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Ivan Junqueira – Esse Punhado de Ossos

Esse punhado de ossos que, na areia, alveja e estala à luz do sol a pino moveu-se outrora, esguio e bailarino, como se move o sangue numa veia. Moveu-se em vão, talvez, porque o destino lhe foi hostil e, astuto, em sua teia bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia o que havia de raro…
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Ivan Junqueira – A Sagração dos Ossos

Considerai estes ossos – tíbios, inúteis, apócrifos – que sob a lápide dormem sem prédica que os conforte. Considerai: é o que sobra de quem lhes serviu de invólucro e agora já não se move entre as tábuas do sarcófago. Dormem sem túnica ou toga e, quando muito, um lençol lhes cobre as partes mais…
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Rainer Maria Rilke – Dia de Outono

Senhor, foi um verão imenso: é hora.Estende as tuas sombras nos relógiosde sol e solta os ventos prado afora. Instiga a sazonarem, com dois diasa mais de sul, as frutas que, tardias,conduzes rumo à plenitude, e apura,no vinho denso, a última doçura. Quem não tem lar já não terá; quem morasozinho há de velar e…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Homenagem a Ricardo Reis

Não creias, Lídia , que nenhum estioPor nós perdido possa regressarOferecemos a florQue adiámos colher. Cada dia te é dado uma só vezE no redondo círculo da noiteNão existe piedadePara aquele que hesita Mais tarde será tarde e já é tardeO tempo apaga tudo menos esseLongo indelével rastoQue o não – vivido deixa. Não creias…
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Ricardo Reis – Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos.) Depois pensemos, crianças adultas, que a vida Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,…
