Categoria: Poema
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Laura Gilpin – Vida após a morte

O que eu sei:como os vivos seguem vivendoe como os mortos seguem vivendo com eles Assim, em uma floresta,mesmo uma árvore morta projeta uma sombrae as folhas caem uma a umae os galhos se partem com o ventoe a casca se desprende lentamentee o tronco se rachae a chuva se infiltra através das rachadurase o…
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Marcus Argentarius – da “Antologia Grega”

Psyllas jaz aqui. A sua ocupaçãoproxeneta; mantinha um bandode raparigas e alugava-as para festas.Um negócio pouco simpático, ganhardinheiro com carne humana e fraca.Mas poupem o seu túmulo, não atirempedras, agora que está morto e enterrado.Lembrem-se disto: os serviços que prestouconvenceram os rapazes a deixaremas nossas mulheres sossegadas. Versão: José Alberto Oliveira REPUBLICAÇÃO: poema publicado na…
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Jorge Luis Borges – Maio 20, 1928

Agora é invulnerável como os deuses. Nada na terra pode feri-lo, nem o desamor de uma mulher, nem a tísica, nem as ansiedades do verso, nem essa coisa branca, a lua, que já não precisa fixar em palavras. Caminha lentamente sob as tílias; olha as balaustradas e as portas, não para recordá-las. Já sabe quantas…
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Platão – da “Antologia Grega”

Epigrama atribuído a Platão, da “Antologia Grega”, que transforma o espelho em símbolo cruel da passagem do tempo e da perda da antiga beleza.
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Adam Zagajewski – Amizades impossíveis

Por exemplo, com alguém que já não existe,e que deixou apenas cartas amareladas. Ou longas caminhadas à beira de um riacho,onde, no fundo, jazem ocultas xícaras de porcelana — e conversas sobre filosofiacom um tímido estudante ou um carteiro. Um transeunte de olhar altivoa quem você nunca conhecerá. Amizade com este mundo cada vez mais…
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Zenodotus – da “Antologia Grega”

Epigrama de Zenodotus, da “Antologia Grega”, que ironiza a tentativa de conter o fogo do desejo com a água da razão ou da prudência.
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Linda Hogan – Noite ártica, luzes cruzando o céu

Estamos entrelaçados,corpo a corpo, célula a célula,um braço sobre o outro.O mundo é um leito para a noite fria,um gato aninhado na dobra de um joelho,um cachorro aos nossos pés,minha mão na sua, estamos abraçadosna presença animal, calidez,o mar lá fora ressoandoondas de inverno, uma chegando após a outrado mistério distante,onde, no fundo do mar,habitam…
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Jaime Sabines – Sobre a Morte do Major Sabines

Primeira Parte I Deixa-me repousar,relaxar os músculos do coraçãoe colocar a alma para dormirpara poder falar,para poder recordar estes dias,os mais longos dos tempos. Mal convalescemos da afliçãoe estamos fracos, assustados,despertando duas ou três vezes do nosso escasso sonhopara ver-te na noite e saber que respiras.Precisamos despertar para estar mais despertosdeste pesadelo repleto de gente…
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Diane Seuss – [Todas as coisas agora me lembram]
![Diane Seuss – [Todas as coisas agora me lembram]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2023/04/house.jpg)
Todas as coisas agora me lembram de como o amor costumava ser. Taboas dilatadas em lugaressolitários. Condicionador viscoso em meus cabelos. Sólidos livros. Suas variegadas lombadas.Turbilhão de palavras como um coquetel agitado, umbigo em torvelinho, pulsante asterisco.O passado é isto: ter sido jovem e desejosa e não ser mais.No futuro, as taboas explodirão sem mim.…
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Nuno Júdice – Outra Imagem

Conheço o mundo dos mortos. É frio, com terraPor cima, restos de tábuas, ossos desfeitos pelos invernos.Os mortos vêem-nos; de onde eles estão, eles chamam pelos nomesFamiliares, num murmúrio, e o vento dispensa-lhes os sopros– música de ciprestes. Por isso há quem ande entre as campasao fim da tarde, com os ouvidos tapados; quem reze,entre…