Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Sharon Olds – Minha mão

Quando olho para a minha mão, e para o dorso do meu pulso,brilhando com o petrolato que esfreguei em suas fissuras — óleo mineral,ceresina, lanolina, pantenol, glicerina,bisabolol, vejo as rugasfinas, muitas formando losangos,algumas delas longas ondulações de cicatrizes —ela me parece comovente, e afortunada. E eu gostodas veias salientes do dorso da minha mão.Faço parte…
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José Mateos – In Memoriam

Para Pedro Sevilla Sempre, diante da dor, estamos sozinhos,não se deseja viver, e tu sabes disso.Há um instante, na penumbra de um quarto de hospital, viste a mão hirta,seu rosto afundado que o lençol ocultou.E foi como olhar-se num espelhoe perceber que somos menos que essa ausência,menos que a névoa que o ar dissipa. Eu…
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Linda Pastan – Graça

Quando o jovem professor juntouas mãos no jantar e falou com Deussobre a minha chegada em segurançaem meio à neve, agradecendo-Lhe tambémpelo alimento que iríamos comer,foi no tom de voz que eu costumousar para falar com meus amigos quando ligoe sou atendida pela secretária eletrônica,com a qual converso sobre isso e aquilousando um tom casual,imaginando…
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Joan Margarit – Ulisses nas águas de Ítaca

Estás chegando à ilha e agora sabeso que é o acaso. Viver, o que significa.Teu arco será pó em uma prateleira.Pó será o tear e a peça que ele tece.Os pretendentes, que no pátioacamparam,são sombras dos sonhos de Penélope.Estás chegando à ilha enquanto o mararrebenta nas rochas da costa,como faz o tempo com a Odisseia.Ninguém…
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Tess Gallagher – Escolhas

Dirijo-me para o lado da casa de onde se vêa montanha, a fim de aparar as árvores novase desobstruir a vista para a neve sobre as serras. Mas quando olho para cima,serrote na mão, vejo um ninho agarradoaos galhos mais altos.Não corto esta.E também não corto as demais.De repente, em cada árvore,um ninho invisívelonde uma…
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Li-Young Lee – Comendo sozinho

Colhi as últimas cebolas frescas do ano.O jardim está limpo agora. O solo está frio,gasto e pardacento. O que resta do diaarde nos bordos, nas bordas dos meusolhos. Eu me viro, um cardeal desaparece.Junto à porta da adega, lavo as cebolas,depois bebo da gelada torneira de metal. Certa vez, anos atrás, caminhei ao lado do…
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Christopher Bursk – “Ashes, Ashes, We All Fall Down”

“Ashes, Ashes, We All Fall Down“1 Se vou me transformar em cinzas em uma década ou algo assim,por que ficar acordado até depois da meia-noite encarando a TVcomo se ela pudesse mudar de opiniãoe eleger, por uma vez, um candidato independente para o cargoou acabar com a guerra e, ao mesmo tempo, remover a acne…
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Víctor Botas – “Collige, virgo, rosas”

Não falta quem suponha que em sessentabilhões de anos voltaremosa estar como agora (ao que parece,o Espaço se estica para depois,elástico, encolher e novamenteoutra vez dilatar-se), repetindotu, as profundidades desses olhos,eu, este esperar a morte de tuamão agonizante nas minhas, aquimesmo, precisamente nesse lugar. Mas, casoseja tudo uma farsa e nunca maisa história se repita…
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Luis Alberto de Cuenca – “Collige, virgo, rosas”

Moça, arranca as rosas, não esperes até manhã.Corta-as sem parar, desenfreadamente,sem te deteres a pensar se são boas ou más.Que não reste nenhuma. Acaba com os roseiraisque encontrares pelo caminho e deixa os espinhospara tuas colegas do colégio. Desfrutada luz e do ouro enquanto puderes e entregatua beleza a esse deus rechonchudo e melancólicoque passeia…
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Mary Oliver – Chumbo

Eis uma históriade partir o seu coração.Quer ouvi-la?Neste inverno, os mergulhões pousaram em nossa enseadae morreram, um por um,de nada que conseguíssemos ver.Um amigo me contousobre um na costaque ergueu a cabeça, abriuseu elegante bico e gritouno longo e doce deleite de sua vida,grito que, se você já ouviu,sabe que é uma coisa sagrada,e pelo…