Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Matthew Rohrer – Não há absolutamente nada mais solitário

Não há absolutamente nada mais solitáriodo que o pequeno Mars Rover,que nunca desliga, escavandorochas, tão longe da Bond Streetnuma chuva fina. Será queele emite pequenos bipes? Se sim,ele é ainda mais solitário. Ele dispara um laserna poeira. Ele tosse. Algo brilhante na areia revela-se ser dele. Trad.: Nelson Santander There Is Absolutely Nothing Lonelier There…
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Alfonsina Storni – Leva-me

Quero esquecer que vivo: leva-me a algum lugar;Ata-me a tua alma; a alva a brilhar. Colhe-me entre tuas mãos como em um branco casuloE mostra-me aos deuses com glória e com orgulho. Leva-me! É uma noite muito escura e sombria!…A morte caça pelo mundo tal qual harpia. Faz-me esquecer o peso que carrego nos ombrosEssa…
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Stanley Kunitz – Cometa de Halley

A srta. Murphy, da primeira série,escreveu o nome dele no quadro negrocom giz e nos contou que eleviajava rugindo pelas trajetórias de tempestadesda Via Láctea a uma velocidade aterrorizante,e que se ele desviasse do seu curso e colidisse com a terranão haveria aula no dia seguinte.Um pregador das colinas, de barba ruivae com uma expressão…
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Angela Figuera Aymerich – Princípio e Fim (na morte de minha mãe)

Já tenho minhas raízes debaixo da terra.Já um pouco morta contigo, mãe,há algo da minha vida que se decompõecontigo, com teus ossos delicados,com tuas veias azuis, com teu ventreque côncavo sofreu, dando-me forma.Na ignorância, mãe, não no pecadomostraste-me como a vida brota.Como a carne floresce e se divideno centro sagrado da mulher.Pequena e frágil foste.…
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Izumi Shikibu – [Venha logo]
![Izumi Shikibu – [Venha logo]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2023/04/cerejeira.jpg)
Venha logo — assimque se abrirem essas pétalas,elas cairão.Este mundo existe comoa luz do orvalho nas flores. Trad.: Nelson Santander (a partir da versão do poema em inglês vertida por Jane Hirshfield e Mariko Aratani) N. do T.: Izumi Shikibu foi uma poetisa japonesa que viveu no final do período Heian, entre os séculos X…
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Spencer Reece – Portofino

Prometa-me que não esquecerá de Portofino.Prometa-me que encontrará a ilusão de óticanas paredes do Splendido.As paredes que criam uma cena inacessível. Talvez assim compreenda esse anseiopor permanência que mencionei tantas vezes.Do outro lado do porto? Uma capela amarela. Um penhasco.Prometa-me que testemunhará o dia se dissipar. E quando os telhados escurecerem, quando as estrelas vagarematé…
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José María Zonta – Não entres como turista no coração de uma mulher

“Não entres como turista no coração de uma mulher”, um poema de José María Zonta que transforma o amor em território sagrado, exigindo entrega autêntica e cuidado diante da vulnerabilidade do outro.
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Ann Fischer-Wirth – Milagre de um coração sagrado e três folhas de faia, cada uma machada de verde e carmesim

“Milagre de um coração sagrado e três folhas de faia”, um poema de Ann Fischer-Wirth que resgata, na matéria frágil do envelhecer, a persistência luminosa da identidade e da ternura.
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Fady Joudah – Mimesis

Minha filha não faria mal a uma aranhaQue se aninhouEntre as manoplas de sua bicicletaPor duas semanasEla esperouAté que a aranha fosse embora por conta própria Se você desfizera teia eu disseEla simplesmente vai saberQue este não é um lugar que possa chamar de larE você poderia sair para pedalar Ela disse é assim que…
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Otto D’Sola – Plenitude

Da formiga à estrela mais alta, fomos capazes de tecer uma longa história que nunca acabará;da rocha aos pinhais,dos pântanos ao berço de um tênue vento recém-nascido, fomos capazes de dar ao solo duro e seco a alegria de contemplar uma estrela e uma flor aberta. Permeada de canções, beijos e mariposas, nossa história é…