Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Joan Margarit – Despedida

Retirei tapetes e cortinas,todas as mesas onde há temposnão como nem escrevo.Removi os quadros e pintei as paredespara apagar os vestígios dos anos.Guardo alguns poucos livros. Sei bem quais.Destruícartas de amor que não me amavam mais.Silenciosos agora, os amoressão icebergs errantes do pensar.A casa, sem recantos para o medo,deixa meus olhos mais desnudos.Nada, nem a…
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Michelle Hulan – O universo, como em uma última canção para os corações solitários

Este poema foi inspirado em “People talk and talk more”1, de Eugenio Montale, e no ciclo de vida do nosso Universo. Há uma teoria segundo a qual a fase final do Universo é a denominada Era dos Buracos Negros, na qual esses fenômenos astronômicos avançam lentamente pelo espaço frio até não restar mais nada. Essa…
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Hala Alyan – Spoiler

Você pode diagnosticar o medo? A árvore vermelha que cresce do úteroaté a garganta? É um nervo longo, diz o médico. Há uma razão pela quala respiração ajuda: os músculos relaxam como um casamento defunto.Meus medos são básicos. Intoxicação alimentar em Paris. Saguões de hospitais.Meu marido rindo em outro quarto (a porta fechada).Durante dias, amparei meu…
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W.S. Merwin – Desejo

Por favor, um últimobeijo na cozinhaantes de apagarmos as luzes Trad.: Nelson Santander Nota sobre o poema: Merwin escreveu este pequeno poema imediatamente após a morte de sua esposa. Como é simples o desejo… de experimentar uma vez mais essa ocorrência aparentemente comum e cotidiana. Imagino isso como uma rotina noturna, um beijo ligeiro antes…
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David Wagoner – O silêncio das estrelas

Certa noite, no deserto de Kalahari, quando Laurens van der Post1 disse aos bosquímanosQue não conseguia ouvir as estrelasCantando, eles não acreditaram. Olharam para ele,Meio sorridentes. Examinaram seu rostoPara ver se estava brincando Ou enganando-os. Então dois daqueles homenzinhosQue nada plantam, que quase Nada têm para caçar, que vivemDe quase nada e não contam com…
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Ross Gay – Obrigado

Se você se encontra seminue descalço na grama gelada, ouvindo,mais uma vez, o grande e sonoro lamento da terra dizendoque você é o ar do agora e do que se foi, dizendoque tudo o que você ama se transformará em pó,e o encontrará naquele lugar, nãoerga seu punho. Não levante sua voz pequena contra isto.…
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Linda Pastan – Os tordos

Só posso chamá-la de pós-pós-moderna — esta música deixada pelos tordosenquanto voejam para o sul abandonando as árvores —estes frondosos cancioneiros — como enlouquecidas notasindividuais. E os bosques ressoamcom os primeiros sons do outono, dissonantese sombrios, antes que uma únicafolha se transforme. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e…
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Miquel Martí i Pol – Tua Solidão

Enquanto puderes, não desperdicestua solidão, dedicando-a a uma absurdabusca do nada, nem te persigasobsessivamente por escuros corredores.Assustado pela luz dos preceitos.Sai sob o sol pleno e observaas coisas difíceis.Considera que o jogo desmedido das palavrasnão te servirá de nada se não te apoiaresnaquilo que te rodeia. Há as pedrase as árvores e as pessoas e…
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Edith Södergran – Nada

Fique tranquilo, meu filho, não há nada,e tudo é como parece: a floresta, a fumaçae os trilhos que desaparecem.Em algum lugar afastado, em países distantes,existe um céu mais azul e uma parede coberta de rosasou uma palmeira e um vento suave —e isso é tudo.Não há nada além de neve no ramo do pinheiro.Não há…
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Joan Margarit – Quando se perde o sinal

À noite, em um pequeno aeroporto,vês um avião decolando.O sinal vai se perdendo.Sem nenhuma piedade por quem tens sido,pois a piedade é demasiado efêmera enão há tempo para edificar nada sobre ela,sentes-te convencido de que vives,embora sem esperanças, uns anosque são os mais felizes de tua vida.Há uma outra poesia, haverá sempre,como há outra música.…