Mês: março 2024
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Emily Jungmin Yoon – Questões Conexas

Olho para o oceano como se fosse um adeus.Em algum lugar, ele toca uma terra à mercê do fogo.Minha mãe enlutada traz a floresta para dentro de casa, um exagero verde.Quando ela replanta as árvores, não é diferente de trocar fraldas.Mas ela não se preocupa mais com os troncos mirrados das moribundas.Hoje em dia, tudo…
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Joy Harjo – Canção de outono

É um dia escuro de outono.A terra está ligeiramente molhada pela chuva.Ouço um gaio.O canto é triste.Encontrei você na história novamente.Existe outra palavra para ‘‘divino’’?Preciso de uma canção que mantenha o céu aberto em minha mente.Se eu pensar para trás, posso quebrar.Se eu pensar para frente, perco o agora.Para sempre será um dia assim,Perfeitamente enlaçado…
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W. S. Merwin – Um retrato

Já é quase o dia do seu aniversário e enquanto me visto sozinho em casaum botão se solta e assim que encontrouma agulha com um buraco suficientemente grandepara eu passar a linhae finalmente costurar o botãoabro uma velha foto sua que sempre fazia essas coisas por mágicauma fotografia encontrada após a sua mortede você aos…
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Nuno Júdice – Como Aves, Cuja Passagem

Como sombras passaram entre nós, como sombras. Uma vez perante alguns amigos e desconhecidos, afirmei conhecê-los e citei os seus nomes. Mas o que não correspondia a um acto heroico, nada significava hoje, mesmo entre amigos e desconhecidos. Só se eu próprio me tornar uma sombra, e também eu passar a uma outra vida. Durante…
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Manuel António Pina – Café Orfeu

Nunca tinha caídode tamanha altura em mimantes de ter subidoàs alturas do teu sorriso. Regressava do teu sorrisocomo de uma súbita ausênciaou como se tivesse lá ficadoe outro é que tivesse regressado. Fora do teu sorrisoa minha vida pareciaa vida de outra pessoaque fora de mim a vivia. E a que eu regressava lentamentecomo se…
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Ada Limón – A máquina do silêncio

Estou aprendendo tantas maneiras diferentes de ficar quieta. Há o jeito como fico no gramado, esse é um deles. Há também o jeito como fico no campo do outro lado da rua, esse é outro, porque estou mais longe das pessoas e, portanto, é mais provável que eu fique sozinha. Há o jeito como não…
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Fernando Pinto do Amaral – Por causa de uma ave

“Por causa de uma ave”, um poema de Fernando Pinto do Amaral que transforma o esqueleto de um pássaro em revelação brutal da mortalidade, ligando a perda íntima à consciência inquieta da própria finitude.
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Faith Shearin – O que eu gosto

Não da festa em si — um turbilhão de momentos desconfortáveis e risosque, na verdade, querem dizer outra coisa. Não do momento logo após o fimda festa, quando nos jogamos no sofá, pratos espalhados por toda parte,bitucas de cigarro flutuando no refrigerante, um único pedaço intocado de torta sobre a mesa de centro. O que…
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Vicente Gaos – A vida

Os ardorosos signos da vidapulsam na atmosfera do verão.O mar respira tal como um varão,como uma criatura enfurecida. Oh gozo e amor, sangue furioso,cósmica vibração de um mundo arcano.Mundo que sinto ao tatear teu crâniofrágil quando nele minha mão pouso. Te amo, sim, te amo, sonho forte,Fecho os olhos e te sinto inteira– Oh luz…
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Thomas Lux – Irreconciliabilidade

Não importa o que você faça,não é possível retê-lo por muito tempo,nem trazê-lo de volta. O céu, o céu vazio,quase azul, as casas modestas do sono,cobertas de musgo, irão chamá-lo. Não importa o quanto você ame,este amor vai passar, vai passar,seus amigos imortalizados, partiram, se perderam. Incandescem os verãose os anos, e tudo o que…