Mês: março 2023
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Francisca Aguirre – E se, depois de tudo, fosse o resto

E se, depois de tudo, fosse o restoum ir morrendo para ao fim morrermospor este louco afã de convertermo-nosem contadores de um momento lesto. E se afigura que o correto eraeste sermão que vem nos repetirque avança o furacão de nos ferir,e é vã e absurda esta carreira. Então fique tranquilo, amor meu,e goza desta…
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Adam Zagajewski – Um breve poema

Eu ouvia cânticos gregorianosnum carro em alta velocidadeem uma rodovia na França.As árvores passavam velozes. As vozes dos mongesentoavam preces a um deus invisível(ao amanhecer de uma capela tremendo de frio).Domine, exaudi orationem meum,vozes graves rogavam calmamentecomo se a salvação estivesse crescendo no jardim.Para onde eu ia? Onde o sol se escondia?Minha vida estava em…
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Yehuda Amichai – Na história do nosso amor

“Na história do nosso amor”, um poema de Yehuda Amichai que utiliza metáforas históricas e geográficas — tribo, nação, ilha, península — para refletir sobre desencontro, deslocamento e a redefinição da identidade amorosa ao longo do tempo.
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Czesław Miłosz – Uma vida afortunada

Sua velhice coincidiu com os anos de colheita abundante.Não houve terremotos, secas ou inundações.Dir-se-ia que a mudança das estações ganhava em regularidade,As estrelas se fortaleciam e o sol aumentava seu poder.Mesmo em províncias remotas nenhuma guerra foi travada.Gerações cresceram amistosas para com seus semelhantes.A natureza racional do homem não era motivo de escárnio. Foi amargo…
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Pedro Salinas – [A tua forma de amar]
![Pedro Salinas – [A tua forma de amar]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2018/03/images-of-sad-love-and-wallpaper-28.jpg)
“A tua forma de amar”, um poema de Pedro Salinas que explora o amor silencioso e a insegurança afetiva, retratando um eu lírico que teme descobrir que ama sozinho e se agarra à presença da amada para não confrontar a possibilidade da solidão.
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Linda Pastan – Por que seus poemas são tão sombrios?

Por que seus poemas são tão sombrios? Não é a lua também sombria,na maior parte do tempo? E a página em branconão parece inacabada sem a mancha escuradas letras? Quando Deus demandou a luz,Ele não baniu a escuridão. Em vez disso, Ele criouo ébano e os corvos e aquela pequena pintano lado esquerdo do seu…
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Manuel António Pina – Depois

Primeiro sabem-se as respostas.As perguntas chegam depois,como aves voltando a casa ao fim da tardee pousando, uma a uma, no coraçãoquando o coração já se recolheude perguntas e de respostas. Que coração, no entanto, pode repousarcom o restolhar de asas no telhado?A dúvida agitaos cortinadose nos sítios mais íntimos da vidaacorda o passado.Porquê, tão tardo,…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Xochiquetzal

Xochiquetzal1 (Homenagem a Chuang-Tzu2) Ontem sonhei contigo. Vestias uma gabardine de pele, e por baixo nada.Era outono e estavas ensopadapela chuva; caminhavas em alguma gare de Madrid indo para lugarnenhum. Estancavas ocasionalmenteteus passos para sentires transluzentetua pele resplandecer ao luar de um espelho invisível em que haviaum homem que sonhava com uma mulhere uma mulher…
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Laia Noguera Clofent – [Amo a vida simples]
![Laia Noguera Clofent – [Amo a vida simples]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2023/02/img_53191-scaled.jpg)
Amo a vida simples,de me sentar à entradapara ver as pessoas passar,como se move um pardal,como se inclina a tardenas casas do corpo. Já sei que morrereimuito antes de morreremas árvores que amo. Mas isso não me preocupa,porque no instanteem que se me romper o último fioserei só aquela mulherque se sentava à entradapara simplesmente…
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Nisha Atalie – Fazer/Não fazer

Eu cheiro o Lírio Tigre em flor,duas línguas saltandode uma boca. Eu enveneno o rio involuntariamente.Marcho nos caminho demarcados. Eu corto a montanha, seu corpo e sua boca escancarados.Recolho a água da chuva em um carrinho de mão. Eu forro o ventre da baleia com presentes atéque eles dilacerem seu estômago.Eu rego os morangos. Novamente…