Mês: dezembro 2022
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Stanley Kunitz – As camadas

“As camadas”, um poema de Stanley Kunitz que reflete sobre as múltiplas vidas atravessadas ao longo da existência, as perdas acumuladas e a contínua transformação do eu, culminando na exortação a viver nas camadas da experiência, e não nos escombros do passado.
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Stig Dagerman – A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer

Sem fé, ouso pensar a vida como uma errância absurda a caminho da morte certa. Não me coube em herança qualquer deus, nem ponto fixo sobre a terra de onde algum pudesse ver-me. Tampouco me legaram o disfarçado furor do cético, a astúcia do racionalista ou a ardente candura do ateu. Não ouso por isso…
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Matt Rasmussen – Suicídio reverso

O cara para quem papai vendeu o carrovolta para buscar o dinheiro dele, sai do veículo. Com trapos imundosnós o esfregamos até que deixe de brilhar e limpamos o seu sangue dascosturas do assento. Cada floco de neve se move antesde alçar ao céu enquanto eu percebo que você não estará morto.O não sofrimento termina…
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Pedro Salinas – de “Presságios”

41 Estas frases de amor que se repetem tantonão são nunca as mesmas.Todas tem idêntico som,mas uma vida anima cada uma,virgem e só, se é que a percebes.E não te canses nuncade repetir as palavras iguais:sentirás a emoção que sente a almaao ver nascer a estrela primeirae ao ver que ela se multiplica, conforme a…
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Thomas Lux – As pessoas da outra aldeia

odiamos as pessoas desta aldeiae pregaríamos os chapéusàs nossas cabeças por nos recusarmos a remove-los em sua presençaou grampearíamos as mãos às nossas testaspor nos recusarmos a cumprimenta-losse não os feríssemos primeiro: enviamos-lhes pacotes de ratose, à noite, misturamos vidro moído à sua farinha.Nós fazemos isto, eles, aquilo.Eles arrancam a laringe da garganta de um…
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Ellen Bass – Miniantologia Poética – Sumário

Ellen Bass – Miniantologia Poética Seleção e tradução de Nelson Santander Uma mulher recebe uma notícia que teme. Outra acompanha a mãe durante seus últimos dias. Alguém observa uma borboleta morta, um pássaro contaminado, o corpo envelhecido da pessoa amada. Em cada uma dessas cenas, seria possível recuar. Os poemas fazem o movimento contrário: aproximam-se.…
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Ellen Bass – O tempo que ela quiser

No caminho para o cemitério, eu dormi.Não na limusine que levava o caixão da minha mãe,mas apagada em uma van, a família toda falando ao meu redor.Eu estava exausta do sofrimento dela, de seus apelos —me ajuda e chega, chega —e tentando fazer com que a morfina permanecesse na vala de suas gengivas.Como pude não ter estudado…
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Ellen Bass – Durante a pandemia, ouço a gravação de A Love Supreme no Festival Juan-les-Pins, de 26 de julho de 1965

As primeiras notas familiares, reconhecíveis em qualquer lugar, me abençoamnesta manhã selvagem. O sax de Coltrane sobee desce em cada beco, entra e sai das veias e sobre a facedas águas e nos corações de pedra.E quando repete A love supreme de novo e de novo,é como se, se o dissesse o suficiente, ele pudesse…
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Ellen Bass – Foi esta a porta

Não havia belezaquando eu me sentava na cozinha, à mesa, rompendo as cápsulas rosadas, dividindo os grânulospara que ela pudesse ingerir a promessa precisa, onde ela se deitava no quintal envolta em colchastodas as noites olhando por entre os ramos, estrelas salpicadas no venoso céu escuro.Não havia tempo lá fora. Ou o tempo era grande…
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Ellen Bass – Fracasso

Eu parecia uma mulher. Tinha começadoa sangrar, algo que eu queria com fervor,o mesmo fervor com que ardiao beijar Earl Freeman, ao cheirar seu suor de homeme tocar o côncavo em seu esternoquando nos deitamos na areia quente em Atlantic City,o céu claro arqueado sobre nós. Eu estava com tanta pressade crescer, disse minha mãe.…