Tag: Vida
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Mark Perlberg – A segunda vida das árvores de natal

Em um janeiro congelante, meus amigos e euarrastávamos árvores de natal descartadasdas calçadas de nossa cidade tiritantepara um terreno baldio. Um fósforo aceso e o fogocorreu por um galho seco como um jorro de vida.Um sopro de vento e a pilha se incendiou,flamejou acima de nossas cabeças. Ondas de seda.Aroma de breu e bálsamo em…
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Juan Luis Panero – Mensagem de Antonio a Cleópatra

Mensagem de Antonio a Cleópatra I Elogiem outrostua beleza adormecida,a suavidade de tua pele em repouso,a medida perfeição de teus membros.Eu não vim por isso,vim somente para te penetrarpela frente e por tráscomo um punhal que atravessaa água límpidae afunda e se perdeno poço sombrio. Mensagem de Cleópatra a Antonio II Não louves minha beleza,outros…
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Sharon Olds – As formas

Sempre tive a sensação de que minha mãe morreria por nós, se atiraria em um incêndio para nos tirar de lá, seus cabelos flamejando como uma auréola, pularia na água, seu corpo branco afundando e girando lentamente, o astronauta com seu tubo cortado, caindo na escuridão. Ela teria nos coberto com seu corpo, empurraria seus…
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Berta Piñán – Duas Garças

Chegaram no sábado. Vimo-lascedo porque nesse dia chegoutambém o frio e passamosa manhã falando do tempo.São duas, e me pergunto quedestino imprevisto as trouxea esta árvore precisa, a este exatolugar onde o tempo delascruza, como um enigma confuso,nosso tempo.À tarde, conversamos sobre elas:“Esta espera delas, imóvel, paciente – dizes -,não sei que imagem estranha e…
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Helder Moura Pereira – “Eu não tinha nada de felino…”

Eu não tinha nada de felino, tu sabiasque eu não tinha nada de felino.Nenhum de nós se admirou quandomedi mal a distância e falhei o salto.Enquanto ia no ar parecia que eraum salto bom, porém houve qualquercoisa que correu mal e caí com estrondono chão. Ninguém riu. Não era casopara rir. Grande ilusão ir pelo…
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Ian Hamilton – Pai à beira da morte

Seus dedos, tufos de pelos de cobertorPresos sob as unhas, se estendem para tocarAs rosas ao lado da cama, despetalando com o calor.Caem pétalas brancas. Presas em sua mãoElas escurecem, empapadas em suor, depois enrolam,Secam e caem. Hora após horaElas gotejam do ramo. Por fimEle está limpo e, quando você o toca, frio.Você se inclina para observar…
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Marge Piercy – O visível e o in-

Algumas pessoas passam pela sua vidacomo o perfume das peônias: intenso,persistente e sensual. Algumas pessoas passam pela sua vidacomo o doce aroma almiscarado do cosmos,tão delicado que se você aspirar duas vezes, ele se foi. Algumas pessoas invadem sua vidacomo homens da mudança que carregamsofás, pianos e quebram pratos. Algumas pessoas o tocam tão de…
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Francisco Brines – Os Verões

A Carmen Marí Foram longos e ardentes os verões!Ficamos nus juntos ao mar,e o mar ainda mais nu. Com os olhos,e em corpos ágeis, praticávamosa mais prazerosa posse do mundo. Éramos tocados por vozes banhadas de lua,e era a vida vulcânica e violenta,ingratos com o sonho, fluíamos.O ritmo sombrio das ondasnos abrasava eternamente, e éramos…
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Abel Silva – O Poço

A moeda do Acasocai tão fundono Poço dos Destinosque vivemos descoladosdo viver do outro,como num contrato de comportamento.O milagre do viver nos entorpece.Então a notícia da doença de um amigo,o convite para a missa de um outro,um susto, um alarme, uma suspeitanos vareja no rosto uma aragem de morte.Às vezes choramos,ficamos desorientadosmas abrimos os olhos,levantamos…
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Joan Kwon Glass – Novembro

Estamos no início de novembroe minha filha não se impressiona mais com as folhas que caem.Ela me diz que, a partir de agora,devo pedir permissão para abraça-la,e a resposta costuma ser não.As nozes se espalham pelo pátio da escolaao lado de nossa casa e os esquilosexecutam sua corrida frenética,perseguindo-se uns aos outros nos carvalhos,parecendo desafiar…