Tag: Tempus Fugit
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Mario Quintana – Envelhecer

Antes, todos os caminhos iam. Agora todos os caminhos vêm. A casa é acolhedora, os livros poucos. E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.
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Amalia Bautista – Agora

Agora que a estrada que devo percorreré um viaduto por sobre uma rodoviado qual dá medo de olhar, porque o abismoimplacável me chama.Agora que morreu a esperançacomo um pássaro jogado de seu ninhopor irmãos mais fortes.Agora que é noite todo dia,inverno todo anoe as semanas só têm segundas-feiras,para onde olhar, para onde voltar os olhos,que…
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Amalia Bautista – Os meus melhores desejos

Que a vida te pareça suportável.Que a culpa não afogue a esperança.Que não te rendas nunca.Que o caminho que sigas seja sempre escolhidoentre dois pelo menos.Que te interesse a vida tanto como tu a ela.Que não te apanhe o víciode prolongar as despedidas.E que o peso da terra seja levesobre os teus pobres ossos.Que a…
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Amalia Bautista – O que fazes aqui

Pensei que havia-te dito adeus,um adeus definitivo, ao deitar-mequando pude finalmente fechar meus olhose esquecer-me de ti e de tuas artimanhasde tua insistência, de tua baba ruim,da tua capacidade de anular-me.Pensei que havia-te dito adeuspara todo o sempre, e eu acordoe te encontro novamente junto a mim,dentro de mim, me envolvendo, ao meu lado,invadindo-me, sufocando-me,…
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Vicente de Carvalho – Velho Tema I

Só a leve esperança, em toda a vida, Disfarça a pena de viver, mais nada; Nem é mais a existência, resumida, Que uma grande esperança malograda. O eterno sonho da alma desterrada Sonho que a traz ansiosa e embevecida, É uma hora feliz, sempre adiada E que não chega nunca em toda a vida. Essa…
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Rainer Maria Rilke – Para recitar antes de adormecer

Eu queria cantar para dentro de alguém, sentar-me junto de alguém e estar aí. Eu queria embalar-te e cantar-te mansamente e acompanhar-te ao despertares e ao adormeceres. Queria ser o único na casa a saber: a noite estava fria. E queria escutar dentro e fora de ti, do mundo, da floresta. Os relógios chamam-se anunciando…
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Adélia Prado – A Treva

Me escolhem os claros do sono engastados na madrugada, a hora do Getsêmani. São cruas claras visões às vezes pacificadas, às vezes o terror puro sem o suporte dos ossos, que o dia pleno me dá. A alma desce aos infernos, a morte tem seu festim. Até que todos despertem e eu mesma possa dormir,…
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José Saramago – Diz tu por mim, silêncio

Não era hoje um dia de palavras, Intenções de poemas ou discursos, Nem qualquer dos caminhos era nosso. A definir-nos bastava um acto só, E já que nas palavras me não salvo, Diz tu por mim, silêncio, o que não posso. Conheça outros livros de José Saramago clicando aqui
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Ruy Espinheira Filho – Canção de Depois de Tanto

a Roniwalter Jatobá Vamos beber qualquer coisa, que a vida está um deserto e o coração só me pulsa sombras de Ido e do Incerto. Vamos beber qualquer coisa, que a lua avança no mar e há salobros fantasmas que não quero visitar. Vamos beber…
