Tag: Silêncio
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Kwame Dawes – Solidão

Tenho voltado a conversar com árvores em pleno inverno; não com as das bordas,aquelas seguras, contemplando a rodovia; mergulho fundo, onde a neve é em pó, cristalina sob a luz. Dialogamos, os ramos roçam uns nos outroscomo insetos sibilantes o frio acalma até meu coração inquieto;aqui, o silêncio é absoluto. A cada passo, sou surpreendido…
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Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]
![Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2024/01/leonardo_diffusion_xl_create_an_artistic_representation_of_a_s_2.jpg)
Declaro que morreu e que seu túmuloestá dentro de mim; sou seu sudário.A ninguém se enterrou porque seu trânsitono tempo foi de loucas esperanças. Circundam o contorno desta cova– quente é a vinha que escala as paredes –os pâmpanos mais tenros e suculentosque arrancam do silêncio seu tumulto. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado na…
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Mark Strand – Meu nome

Certa noite, quando a relva estava verde-douradae as árvores marmorizadas pelo luar se erguiam como novos memoriaisno ar perfumado, e toda a paisagem pulsavacom o zumbido e o murmúrio dos insetos, eu estava deitado na grama,sentindo imensas distâncias se abrirem acima de mim, e me pergunteio que eu me tornaria — e onde encontraria a…
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Berta Piñán – Duas Garças

Chegaram no sábado. Vimo-lascedo porque nesse dia chegoutambém o frio e passamosa manhã falando do tempo.São duas, e me pergunto quedestino imprevisto as trouxea esta árvore precisa, a este exatolugar onde o tempo delascruza, como um enigma confuso,nosso tempo.À tarde, conversamos sobre elas:“Esta espera delas, imóvel, paciente – dizes -,não sei que imagem estranha e…
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Ama Codjoe – Por que deixei o Jardim

Depois que perdi meu seio, tornei-me uma mulhersuturada por um certo saber. Durante o dia eu me movia como se caminhar não fosse diferentede cair. Eu tinha os buracose o céu crivado. Eu não tinha nada. Mesmo de longe,eu conseguia ouvir o disco pulando.O tempo escorriadas mãos. Dos rostos. Na primeira vez em que um…
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Joan Margarit – Cemitério de Montjuïc

Algo resta das almas,como a brisa que surgedepois de alguém passar,e que faz estremeceruma fina cortina na janela.Pela trilha de pedras ásperas que não esquecemmas calam, severas, o que sabem,o vento deixa um silêncio de lágrimaspor vidas como a nossa, perdidas.“Jazigo perpétuo”, a terrasempre dura, fileiras de ciprestes:provinciano teatro da morte.Nosso amor é como o…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Espera

Dei-te a solidão do dia inteiro.Na praia deserta, brincando com a areia,No silêncio que apenas quebrava a maré cheiaA gritar o seu eterno insulto,Longamente esperei que o teu vultoRompesse o nevoeiro. REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 18/12/2018
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José Carlos Soares – Camel Blue

“Camel Blue”, um poema de José Carlos Soares que contrasta o silêncio do cemitério com a indiferença do céu, revelando a pequena e inquieta persistência da vida entre os restos da morte.
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José Mateos – Canção 1

Ainda quase um meninoe sentaste a esperar àbeira do grande silêncio. Pensavas que, a sóscom tua voz, talvez pudessesroubar ao mar seu segredo. Foi-se a tua juventude.Mudos passaram os anose agora estás oco por dentro. Poderias, se enfim soasseo acorde do grande silêncio,chegar a cantar seu eco? Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO poema publicado na página…
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Ada Limón – Notas sobre o Subterrâneo

“Notas sobre o Subterrâneo”, um poema de Ada Limon que transforma uma caverna em interlocutora filosófica para investigar desejo, mortalidade e pertencimento.