Tag: Morte
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José Mateos – Caminhantes na Neblina

Símbolo da morte é esta neblina que hoje me envolve nos ecos do bosque solitário, que apaga os caminhos e tudo iguala, que faz mais longe o próximo? Assim será a morte? Ouvir ao lado as pessoas que amamos e não vê-las? Saber que em nossa casa nos aguardam, e não poder, e não saber…
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Angela Figuera Aymerich – Princípio e Fim (na morte de minha mãe)

Já tenho minha raiz debaixo da terra. Já um pouco morta contigo, mãe, há algo da minha vida que se decompõe contigo, com teus ossos delicados, com tuas veias azuis, com teu ventre que côncavo sofreu, dando-me forma. Na ignorância, mãe, não no pecado mostraste-me como a vida brota. Como a carne cresce e se…
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Spencer Reece – Portofino

Prometa-me que você não esquecerá Portofino. Prometa-me que você encontrará o trompe l’oeil nas paredes daquele quarto no Splendido. As paredes que criam um cenário em que você não pode entrar. Talvez então você compreenda esse anseio por permanência do qual sempre lhe falei. Além do porto? Uma capela amarela. Um penhasco. Prometa-me que você…
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Antonia Pozzi – Canto da Minha Nudez

Olha para mim: estou nua. Da inquieta languidez da minha cabeleira até à tensão fina do meu pé, sou toda de uma magreza amarga envolta numa cor de marfim. Olha: como é pálida a minha carne. Dir-se-ia que o sangue não a percorre. O vermelho não transparece. Apenas uma lânguida pulsação azul se esbate no…
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Tamara Kamenszain – O Eco de Minha Mãe

Não consigo narrar.Que pretérito me serviriase minha mãe já não me tece mais?Desamparada, então, eu me detenhodiante de um estado de coisas muito presente:ser a descuidada que dela cuidaenquanto outros a negligenciam por mim.São pessoas que me são dispensáveise a gramática se torna um escândaloquando ela, que esqueceu as palavras,manifesta-se em um arroubo raivosocom o…
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Rui Lage – EN 314

Ardidas há muito as velas de ignição que davam centelha ao meu antigo e primeiro coração. Agora sou apenas um ponto morto, sem tração: rolo sem atrito mas também sem aflição. A estrada adormece em bosques propícios a emboscadas, mas já não tenho crenças que mereçam ser cobiçadas. E os meus sonhos, até os meus…
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Ruy Belo – Através da chuva e da névoa

Chovia e vi-te entrar no mar longe de aqui há muito tempo já ó meu amor o teu olhar o meu olhar o teu amor Mais tarde olhei-te e nem te conhecia Agora aqui relembro e pergunto: Qual é a realidade de tudo isto? Afinal onde é que as coisas continuam e como continuam se…
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Maria Lúcia Alvim – Nosferatu

Não era bem isso que eu queria, no entanto, ele veio. Olho de vidro, dente de espada, sopro de guerreiro afeito à noite. – Por que tarda tanto o teu amanhecer sob a capa? – Porque veio? perguntei. E ele debruçava, derramava sobre mim um jeito de morrer.
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Apesar das ruínas e da morte

Apesar das ruínas e da morte,Onde sempre acabou cada ilusão,A força dos meus sonhos é tão forte,Que de tudo renasce a exaltaçãoE nunca as minhas mãos ficam vazias. Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog
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Joan Margarit – Um pobre instante

A morte não é mais do que isto: um quarto, a luminosa tarde na janela, e este toca-fitas na mesinha tão desligado como o teu coração com todas as tuas canções cantadas para sempre. Teu último suspiro segue dentro de mim, todavia em suspenso: não deixo que termine. Sabes qual é, Joana, o próximo concerto?…