Tag: Memento Mori
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Alfredo Buxán – A eternidade das Cinzas

Leia “A eternidade das cinzas”, de Alfredo Buxán, um poema contemplativo sobre mortalidade, silêncio e a fragilidade da existência humana.
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Jorge Luis Borges – Labirinto

Não haverá nunca uma porta. Já estás dentro. E o alcácer abarca o universo E não tem anverso nem reverso Não tem extremo muro nem secreto centro. Não esperes que o rigor do teu caminho Que fatalmente se bifurca em outro, Que fatalmente se bifurca em outro, Terá fim. É de ferro teu destino Como…
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Nuno Júdice – Réquiem por Muitos Maios

Réquiem por Muitos Maios, um poema de Nuno Júdice Conheci tipos que viveram muito. Estão mortos, quase todos: de suicídio, de cansaço. de álcool, da obrigação de viver que os consumia […]
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Joan Margarit – Não estava longe, não era difícil

Chegou este tempo em que já não machuca a vida que se perde, em que a luxúria é tão só uma lâmpada inútil, e a inveja se olvida. É um tempo de perdas prudentes, necessárias, e não é um tempo de chegar mas de partir. O amor, agora, por fim coincide com a inteligência. Não…
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Inês Dias – Joaquim e Judite

Fizera toda a viagem com ele ao colo. Queria despedir-se junto ao mar, mas as partidas são tão imperfeitas se o coração é uma caixa de cinzas demasiado enferrujada para abrir ao vento. Mesmo agora, depois de lavada a última partícula que se lhe colara à pele, sabia que o amor passara a ter o…
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Javier Salvago – Convém não esquecer

Por esta via que chamam vida, vamos com cautela devida, tal qual um cego. Mas em cinzas termina todo e qualquer fogo. Trad.: Nelson Santander Javier Salvago – Conviene no Olvidarlo Por esta senda, que llaman vida, todos vamos a tientas, igual que un ciego. En ceniza terminan todos los fuegos.
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Manuel António Pina – Luz

Talvez que noutro mundo, noutro livro, tu não tenhas morrido e talvez nesse livro não escrito nem tu nem eu tenhamos existido e tenham sido outros dois aqueles que a morte separou e um deles escreva agora isto como se acordasse de um sonho que um outro sonhasse (talvez eu), e talvez então tu, eu,…
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Alberto Caeiro – Quando vier a primavera

Quando vier a primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. A realidade não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma. Se soubesse que amanhã morria E a primavera era…
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Francisca Aguirre – E se, depois de tudo

E se, depois de tudo, fosse o resto um ir morrendo para ao fim morrermos por este louco afã de convertermo-nos em contadores de um momento lesto. E se afigura que o correto era este sermão que vem nos repetir que avança o furacão de nos ferir, e é vã e absurda esta carreira. Então…
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Marcelo Montenegro – Três Pensatos

1. penso naquela única gota gelada do chuveiro quente. Nas ilíadas clandestinas que a febre percorre até virar suor. Penso nas caretas que os músicos fazem quando estão solando. No meu pai me dizendo que tudo isso aqui era mato. Penso na imagem exata de uma aurora indecisa. Penso em calços de papelão para pianos…