Tag: felicidade
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José Miguel Silva – Desculpas não faltam

Uma casa junto ao Vouga, rio de água suficiente, onde apenas se mergulha até à cintura, a pequena horta de Virgílio, o amor robustecido por nenhuma esperança e tantos livros para ler — que desculpa vou agora dar para não ser feliz?
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Carlos Poças Falcão – A luz coada num pano negro

Lamenta-te, pois já não é alegre o vento sobre os campos. Não há descoberta nem transfiguração quando o calendário vem com as primícias. Lamenta-te, lamenta-te. Já não tens a nudez certa nem a fragrância antiga.
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Ian Hamilton – Legado

Estamos no inverno agora e estou aquecido, Acamado, feliz por ter sobrevivido. Minha mobília Me cerca. Eu posso alcançar meus livros. E você, noite após noite, Até “o fim” Ficará comigo. Entre nós Há lenitivos, esta dor E estes poemas inacabados eu lego a você. Muitas vezes deve ser assim. Escurecemos suavemente enquanto você conta…
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Billy Collins – As cadeiras em que ninguém se senta

Vêem-se em varandas e em relvados mesmo à beira do lago, geralmente dispostas em pares indicando que um casal se poderá sentar ali e olhar para a água ou para as grandes árvores frondosas. O problema é que nunca se vê ninguém sentado nessas cadeiras abandonadas embora a dada altura deva ter parecido um bom…
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Manuel António Pina – A Canção dos Adultos

Parece que crescemos mas não.Somos sempre do mesmo tamanho.as coisas que à volta estãoé que mudam de tamanho. Parece que crescemos mas não crescemos.São as coisas grandes que há,o amor que há, a alegria que há,que estão a ficar mais pequenos. Ficam de nós distantesque às vezes já mal os vemos.Por isso parece que crescemose…
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Joan Margarit – Tchaicovsky

Não te suicides nunca. Olha a escuridão: nunca poderás saber quem te estende a mão. Lembras-te do inverno de luz nos cristais e a cumplicidade daquela música? Ouço a Patética e me vejo desejando que a morte de Joana nos devolvesse a ordem e a felicidade que acreditamos perder quando ela nasceu. Amor meu, Joana,…
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Eunice de Souza – Alvorada 2

Falamos através de continentes. É pouco provável que nos voltemos a encontrar. Não posso fumar, não posso viajar, nenhuma felicidade claro. Sentindo um vento frio nas costas renunciamos à filosofia. Acabaram os amantes errantes, maridos, passarões não propriamente sensatos. Ainda temos a idade com que nos conhecemos. Trad.: Francisco José Craveiro de Carvalho
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Vitor Nogueira – Domingo

Acordamos com o céu encostado no ouvido, nuvens que ladravam e mordiam o domingo, a partir do alto das montanhas. E aqui continuamos, agarrados a nós próprios, como dois miúdos que não têm para onde ir. Estamos presos ao sofá unicamente porque sim, nem tristes nem alegres, metidos no roupão e nos chinelos, pequenos cadeados…
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Amalia Bautista – Nada Sabemos

Nunca saberemos se os enganadossão os sentidos ou os sentimentos,se viaja o comboio ou a nossa ânsia,se as cidades mudam de lugarou se todas as casas são a mesma.Nunca saberemos se quem nos esperaé quem deve esperar-nos, nem sequerquem temos de esperar no meio de umaplataforma fria. Nada sabemos.Avançamos às cegas, perguntandose isto que se…
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Joan Margarit – Quando se perde o sinal

À noite, em um pequeno aeroporto, vês um avião que está decolando. Vai-se perdendo o sinal. Sem nenhuma piedade pelo que foste, pois a piedade é demasiado efêmera e não há tempo para construir nada sobre ela, convences-te de que vives, embora sem esperanças, uma época que é a mais feliz de tua vida. Há…